{"id":7120,"date":"2026-08-20T13:00:00","date_gmt":"2026-08-20T16:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/geral\/?p=7120"},"modified":"2026-08-20T12:55:28","modified_gmt":"2026-08-20T15:55:28","slug":"hospital-colonia-de-barbacena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/geral\/hospital-colonia-de-barbacena\/","title":{"rendered":"MPF aciona Justi\u00e7a por venda de corpos do Hospital Col\u00f4nia de Barbacena"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (<a href=\"https:\/\/www.mpf.mp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MPF<\/a>) entrou com uma a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica para responsabilizar institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de Minas Gerais, a Uni\u00e3o e uma faculdade pela venda de corpos de pacientes do Hospital Col\u00f4nia de Barbacena. O processo pede R$ 13,7 milh\u00f5es por danos morais coletivos, al\u00e9m de outras medidas de repara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo as investiga\u00e7\u00f5es, ao menos 105 corpos de pessoas internadas compulsoriamente no hospital foram vendidos entre 1971 e 1975 para a ent\u00e3o Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas de Minas Gerais (FCMMG), em Belo Horizonte, e utilizados em aulas de anatomia e dissec\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Documentos reunidos durante a apura\u00e7\u00e3o mostram que cada corpo era comercializado por 50 cruzeiros novos, valor que, segundo os registros, era destinado a despesas de conserva\u00e7\u00e3o e transporte.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A\u00e7\u00e3o do MPF envolve faculdade, estado e Uni\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o alvo da a\u00e7\u00e3o a Funda\u00e7\u00e3o Educacional Lucas Machado (<a href=\"https:\/\/feluma.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Feluma<\/a>), mantenedora da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas de Minas Gerais, a Funda\u00e7\u00e3o Hospitalar do Estado de Minas Gerais (<a href=\"https:\/\/www.fhemig.mg.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Fhemig<\/a>), o estado de Minas Gerais e a Uni\u00e3o. A peti\u00e7\u00e3o foi assinada pelos procuradores da Rep\u00fablica Angelo Giardini de Oliveira e Edmundo Antonio Dias Netto Junior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas e a Feluma informaram que v\u00eam colaborando com o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal e que ainda n\u00e3o haviam sido formalmente notificadas sobre a nova a\u00e7\u00e3o at\u00e9 a divulga\u00e7\u00e3o do processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O MPF afirma que a comercializa\u00e7\u00e3o dos corpos violou direitos das v\u00edtimas, incluindo identidade, integridade f\u00edsica e direito a um sepultamento digno. O \u00f3rg\u00e3o defende que esse tipo de viola\u00e7\u00e3o \u00e9 imprescrit\u00edvel, ou seja, n\u00e3o perde validade jur\u00eddica com o passar do tempo, por ser enquadrada como crime contra a humanidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que pede a a\u00e7\u00e3o sobre o Hospital Col\u00f4nia de Barbacena<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m da indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais coletivos, a a\u00e7\u00e3o prev\u00ea a cria\u00e7\u00e3o de um memorial em Belo Horizonte dedicado \u00e0 mem\u00f3ria das v\u00edtimas do Hospital Col\u00f4nia de Barbacena e a digitaliza\u00e7\u00e3o de documentos relacionados \u00e0 hist\u00f3ria da institui\u00e7\u00e3o. O MPF tamb\u00e9m solicita a realiza\u00e7\u00e3o de cerim\u00f4nias p\u00fablicas e a publica\u00e7\u00e3o de declara\u00e7\u00f5es oficiais em reconhecimento aos fatos apurados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os pedidos est\u00e1 ainda a destina\u00e7\u00e3o de R$ 1,1 milh\u00e3o pela Feluma ao financiamento de pesquisas independentes sobre o tema, al\u00e9m de uma medida que impediria, por 15 anos, cortes de recursos da Rede de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (RAPS) como forma de evitar a repeti\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas semelhantes no sistema de sa\u00fade mental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A a\u00e7\u00e3o integra uma estrat\u00e9gia mais ampla do MPF para apurar responsabilidades ligadas \u00e0 pol\u00edtica de interna\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria em massa que vigorou em Minas Gerais ao longo do s\u00e9culo 20. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O \u00f3rg\u00e3o trabalha com o conceito de Justi\u00e7a de Transi\u00e7\u00e3o, que prev\u00ea o dever do Estado de reparar viola\u00e7\u00f5es do passado por meio de quatro pilares: direito \u00e0 mem\u00f3ria e \u00e0 verdade, direito \u00e0 justi\u00e7a, repara\u00e7\u00e3o integral e garantias de que os fatos n\u00e3o se repitam.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Outras institui\u00e7\u00f5es j\u00e1 reconheceram uso de corpos do Hospital Col\u00f4nia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O processo contra a Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas ocorre depois que outras institui\u00e7\u00f5es de ensino j\u00e1 haviam reconhecido publicamente o recebimento de corpos vindos do Hospital Col\u00f4nia de Barbacena. Em abril de 2026, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apresentou um pedido p\u00fablico de desculpas ap\u00f3s admitir ter recebido corpos de pacientes da institui\u00e7\u00e3o, comprometendo-se tamb\u00e9m a criar espa\u00e7os de mem\u00f3ria e incluir o tema em curr\u00edculos acad\u00eamicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em maio de 2026, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) firmou compromissos semelhantes com o MPF, ap\u00f3s reconhecer o recebimento de 169 corpos para atividades did\u00e1ticas. Segundo o \u00f3rg\u00e3o, diferentemente do que ocorreu com as duas universidades federais, as negocia\u00e7\u00f5es administrativas com a Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas de Minas Gerais n\u00e3o resultaram em acordo, o que levou o MPF a recorrer \u00e0 Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Criado em 1903, o Hospital Col\u00f4nia de Barbacena foi apresentado inicialmente como uma institui\u00e7\u00e3o voltada ao atendimento de pessoas com transtornos mentais. Ao longo das d\u00e9cadas seguintes, por\u00e9m, o local se tornou um dos principais s\u00edmbolos das viola\u00e7\u00f5es cometidas no sistema psiqui\u00e1trico brasileiro, recebendo n\u00e3o apenas pacientes psiqui\u00e1tricos, mas tamb\u00e9m outras pessoas consideradas indesejadas pela sociedade da \u00e9poca. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estimativas indicam que cerca de 60 mil pessoas morreram na institui\u00e7\u00e3o ao longo de sua hist\u00f3ria, em condi\u00e7\u00f5es consideradas desumanas por pesquisadores e \u00f3rg\u00e3os de direitos humanos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) entrou com uma a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica para responsabilizar institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de Minas Gerais, a Uni\u00e3o e uma faculdade pela venda de corpos de pacientes do Hospital Col\u00f4nia de Barbacena. 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