{"id":7669,"date":"2026-08-26T15:15:00","date_gmt":"2026-08-26T18:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/geral\/?p=7669"},"modified":"2026-08-26T14:39:42","modified_gmt":"2026-08-26T17:39:42","slug":"gruta-do-gentio-ii-mumia-em-mg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/geral\/gruta-do-gentio-ii-mumia-em-mg\/","title":{"rendered":"Caverna em MG que guarda a \u00fanica m\u00famia do Brasil passa por novas escava\u00e7\u00f5es para decifrar mist\u00e9rio antigo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Gruta do Gentio II, s\u00edtio arqueol\u00f3gico de Una\u00ed, no Noroeste de Minas Gerais, guarda o \u00fanico caso documentado de m\u00famia natural do Brasil e dos pa\u00edses sul-americanos de terras baixas. O local voltou a ser escavado em 2026 por pesquisadores da <a href=\"https:\/\/www.unb.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Universidade de Bras\u00edlia<\/a> (UnB), com o objetivo de mapear sepultamentos ainda n\u00e3o identificados.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova campanha foi realizada entre julho e 14 de agosto deste ano. A equipe, coordenada pelo professor Francisco Pugliese, do Departamento de Antropologia da UnB e respons\u00e1vel pelo Projeto Arqueologia e Hist\u00f3ria Ind\u00edgena no Brasil Central (Phibra), buscava ampliar o conhecimento sobre os grupos que ocuparam esse abrigo ao longo de mil\u00eanios.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Acau\u00e3 foi enterrada com rede de algod\u00e3o e couro de veado h\u00e1 3.350 anos<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A m\u00famia recebeu o nome de Acau\u00e3, ave nativa do cerrado mineiro. Segundo o Instituto de Arqueologia Brasileira, ela foi encontrada em 1977, durante trabalhos de campo no Vale do S\u00e3o Francisco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela tinha cerca de 12 anos quando morreu, h\u00e1 aproximadamente 3.350 anos. O corpo foi envolto em rede de algod\u00e3o, coberto com couro de veado e acompanhado de objetos funer\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A conserva\u00e7\u00e3o foi espont\u00e2nea. A baixa umidade e a temperatura relativamente est\u00e1vel da caverna evitaram a decomposi\u00e7\u00e3o de estruturas que, em condi\u00e7\u00f5es normais, desapareceriam em pouco tempo. O estado de preserva\u00e7\u00e3o permite analisar parasitas, padr\u00e3o alimentar e material gen\u00e9tico das popula\u00e7\u00f5es que passaram pelo Brasil Central.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Gruta do Gentio II ficou quase 40 anos sem escava\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipe voltou ao s\u00edtio em 2021 depois de constatar que campanhas anteriores haviam deixado ossos e objetos funer\u00e1rios expostos, sem prote\u00e7\u00e3o. Segundo Pugliese, a circula\u00e7\u00e3o de turistas e animais pelo s\u00edtio sem qualquer controle criava risco imediato de perda irrevers\u00edvel do acervo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"466\" data-id=\"7684\" src=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/geral\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/05ago2026_materiaMarina_arquivopessoal04-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7684\" srcset=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/geral\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/05ago2026_materiaMarina_arquivopessoal04-1.jpg 700w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/geral\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/05ago2026_materiaMarina_arquivopessoal04-1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Equipe da Universidade de Bras\u00edlia durante escava\u00e7\u00f5es na Gruta do Gentio II, em Una\u00ed, no Noroeste de Minas Gerais | Foto: UnB\/Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As expedi\u00e7\u00f5es de 2021 a 2025 reuniram mais de 300 pe\u00e7as ligadas a sepultamentos humanos. O material foi distribu\u00eddo entre laborat\u00f3rios da UnB e da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Parte seguiu para a Universidade da Fl\u00f3rida, nos Estados Unidos e amostras foram enviadas ao Instituto Max Planck, na Alemanha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As escava\u00e7\u00f5es das d\u00e9cadas de 1970 e 1980 j\u00e1 haviam mapeado rastros de 78 pessoas diferentes. Parte desses ossos conservou estruturas que raramente sobrevivem ao tempo, como fios de cabelo e fragmentos de tecido mole, resultado direto do microclima da caverna. Os objetos encontrados na \u00e9poca incluem sementes, pontas de pedra, penas, ornamentos e recipientes de cer\u00e2mica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre as quest\u00f5es ainda em aberto est\u00e1 saber se existe parentesco gen\u00e9tico entre as popula\u00e7\u00f5es enterradas na gruta e grupos ind\u00edgenas do Brasil Central, como Xakriab\u00e1, Xavante e Xerente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Gruta do Gentio II, s\u00edtio arqueol\u00f3gico de Una\u00ed, no Noroeste de Minas Gerais, guarda o \u00fanico caso documentado de m\u00famia natural do Brasil e dos pa\u00edses sul-americanos de terras baixas. 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