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RINALDO DE CASTRO OLIVEIRA*

Não é novidade para ninguém a constatação de que vivemos em uma era de intensa transformação nas empresas e negócios. Muito se fala das inovações radicais que têm a capacidade de alterar completamente a lógica predominante dos mercados, a partir de novos modelos de negócios pautados em tecnologias que impactam as cadeias produtivas mais tradicionais.

No entanto, um aspecto sócio-demográfico tem sido pouco abordado nesse tipo de discussão: como as mudanças geracionais têm influenciado todo esse movimento? Será que os modelos clássicos de gestão de negócios são reconhecidos igualmente pelas diferentes gerações de profissionais e empreendedores? As diferenças e complementariedades das gerações são cada vez mais evidentes, portanto, entender esse fenômeno é também um ponto chave para saber lidar com essas novas visões de mundo.

Fazendo um retrospecto a partir do que se chama de geração X, os nascidos entre 1965 e 1980, à qual eu pertenço, passando pela geração Y ou millenials, que deram o ar da graça no período de 1980 a 1994, até a nova geração Z que compreende as pessoas nascidas a partir de 1995, algumas características mais gerais podem ser identificadas, com reflexos no ambiente de negócios e trabalho.

A geração X apresenta um estilo que dá ênfase para a produtividade e alta qualidade, valoriza a questão da empregabilidade e se apresenta como um produto comercializável pautado na competência técnica, e se sente confortável com a autoridade/hierarquia. Comparado à geração anterior, também é mais aberta à diversidade étnica.

Como principais traços da geração Y, destaca-se a necessidade de autoexpressão, é mais adaptativa e procura criar constantemente, sendo aberta para o conhecimento contínuo, porém mais instantâneo. Observa-se claramente os efeitos do surgimento da internet no desenvolvimento das pessoas dessa geração, onde o acesso a diferentes fontes de informação contribuiu para moldá-la.

Por último, a geração Z, caracteriza-se pela enorme facilidade de entender e usar as novas tecnologias, aceita muito mais a diversidade em vários aspectose usa a internet para se socializar de maneira interativa e veloz. Buscam trabalhos mais flexíveis, são mais inclinados ao empreendedorismo, e menos tolerantes com ambientes autoritários, com cultura corporativa hierárquica.

Obviamente não podemos entender essas características geracionais como sendo imutáveis para cada pessoa que nasceu naquele período. Por outro lado, também não se pode fechar os olhos para as transformações profundas que a sociedade tem passado, especialmente no período mais recente da história.

A provocação desse ensaio é justamente trazer à tona o aspecto do comportamento das pessoas com o intuito de entender como os líderes das organizações podem, a partir do reconhecimento das diferenças e potencialidades dessasgerações, encontrar mecanismos para lidar com esses fatores, de maneira a combinar competências e obter resultados melhores, nos diferentes projetos de negócios, sejam eles mais tradicionais ou mais disruptivos.

Sob a perspectiva do mercado, os produtos e serviços oferecidos também precisam estar mais alinhados àsnovas caras do consumidor. Por esse aspecto, é muito importante considerar esses fatores geracionais nas tomadas de decisões relacionadas à criação e transformação de produtos e negócios.

Por fim, esse tema me fez lembrar a canção do saudoso Belchior, sucesso na voz de Elis Regina (os mais antigos devem se lembrar…). A letra fala “que apesar de termos feito tudo o que fizemos ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais”. Pode ainda ser verdade em algum contexto, mas acho mais atual o trecho que diz “que o novo sempre vem”. Que tenhamos a capacidade de nos reinventar, preservando a essência do que somos.

*Sócio-diretor da DMEP