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De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), 4 milhões de mulheres entraram no mercado de trabalho nos últimos quatro anos, apresentando crescimento de 9,2% entre o terceiro trimestre de 2014 em comparação com o mesmo período de 2018. Com isso, o gênero passa a representar aproximadamente metade da força total de trabalho no Brasil.

No entanto, algumas profissões ainda são dominadas por homens. A área da tecnologia como um todo é um exemplo que ainda sofre com a disparidade entre gêneros. Segundo dados apresentados no evento Women in Tech, promovido pela CA Technologies, apenas 8% das vagas de desenvolvedores de todo o mundo são ocupadas por mulheres.

Segundo Layla Codogno, Product UX Designer do Olist, startup que oferece soluções para a venda em marketplaces, “Os padrões sociais levam a inconscientes coletivos que, infelizmente, tendem a demorar para serem ressignificados. Em uma sociedade onde o homem por muito tempo se colocou como provedor, precisamos reforçar constantemente a presença feminina. A igualdade de gênero, bem como a representatividade, é justamente uma das formas que temos de reforçar que nós mulheres somos sim provedoras, independentes, capazes de executar qualquer atividade e merecemos o retorno de forma equiparada.”

A redução da desigualdade tem potencial para contribuir fortemente com o aquecimento da economia brasileira, assim como do mercado. Como aponta relatório da Organização Internacional do Trabalho, o aumento da participação feminina pode expandir a renda nacional em até R$ 382 bilhões, além de gerar R$ 131 bilhões às receitas tributárias.

O Olist é um exemplo de empresa que busca prevenir e enfrentar a disparidade, criando um ambiente cada vez mais seguro para as pessoas se sentirem bem no trabalho independentemente de cor, gênero, idade, crença religiosa, classe econômica, orientação sexual ou qualquer outra característica.

De acordo com Layla Codogno, “Uma entrevista me marcou na época que fazia estágio, pois concorri a uma vaga e o motivo de não ser selecionada foi ‘ser uma distração pro time, que era composto apenas por meninos’”. O Olist demonstrou um tipo de postura completamente diferente. Aqui nós entendemos as pessoas como pessoas, não como ativos”

Segundo Rhayana Souza, analista de comunicação e membro do Comitê de Diversidade do Olist, “Hoje o nosso time total de colaboradores é formado por 50% mulheres e 50% homens. Temos mulheres à frente das áreas de TI, Produto e Design. Elas representam aproximadamente 18% do total de profissionais envolvidos. Nosso objetivo é que a equidade de gênero chegue a todos os setores da empresa, inclusive nos cargos de gestão.”

Visando a estimular a participação das mulheres em áreas de computação, diversas iniciativas surgiram por todo o Brasil. Como exemplos, destacados pelas colaboradoras do Olist, estão o Pyladies Curitiba e São Paulo, com foco em código aberto Python; o Woman Who Go Curitiba, grupo que reúne mulheres para estudarem a linguagem de programação; o Mulheres de Produto, encontros com o objetivo de trazer conhecimentos sobre a área de tecnologia e o Django Girls São Paulo, workshop gratuito de programação para mulheres.

Para Andressa Siegel, Product UX Designer da startup, “Além dos programas externos, alguns diferenciais do Olist me permitiram sentir impactos positivos em poucos meses de colaboração. No meu caso, ter uma liderança feminina direta na área, aliada à cultura e ao estímulo à diversidade promovido pela empresa, me deu a segurança necessária para saber que tenho apoio suficiente para ser ouvida e para garantir meu crescimento profissional na área que quiser.”

Patricia Lopes, engenheira de dados remota da Espanha, conta que “O Olist possibilitou que eu tivesse contato com novas tecnologias e formas de trabalho diferentes, como o trabalho remoto. Hoje trabalho de Barcelona, na Espanha. Além disso, também tive a oportunidade de mudar de time. Entrei como desenvolvedora Python e hoje trabalho como Engenheira de Dados. Essa mobilidade entre times foi enriquecedora para a minha carreira profissional.”

O Fórum Econômico Mundial indica que os empregos na área de informática e matemática tenham alta de 3.21% pelo mundo até 2020, com influências de avanços tecnológicos, crescimento de países em desenvolvimento e urbanização. Com a expansão do mercado, também cresce a exigência de profissionais qualificados e aptos a assumir desafios.

Em uma sociedade cada vez mais automatizada, inserir mulheres no mercado de trabalho é essencial para garantir a diversidade, o respeito aos direitos e as condições igualitárias de construção de carreira.

Aline Baldino, Product Manager da marca, conclui “Aprendemos desde a infância a associar algumas áreas de atuação que envolvem esforços físicos ou raciocínio matemático a áreas masculinas, e a associar outras atividades mais “maternais” às áreas femininas, por ter uma estrutura muito rígida de características esperadas de cada gênero. À medida que evoluirmos enquanto sociedade dando mais liberdade para cada pessoa se apresentar como realmente é e deseja ser, vamos desacoplar esse entendimento de que determinadas características determinam o gênero de quem deve desempenhar cada função.”

Daiane Peretti, gerente do time de Pessoas, complementa: “a diversidade de gênero e o respeito é fundamental na nossa cultura. Ver as mulheres se destacando em funções que até pouco tempo eram dominadas por homens é motivo de orgulho para nós. O ponto de vista feminino traz maior riqueza para as discussões e nos ajuda a desenvolver projetos com melhores resultados. Queremos mais mulheres empoderadas, dispostas a quebrar tabus, pensar fora da caixa e fazer acontecer.” (Da Redação)

Desigualdade de gênero persiste no trabalho

Apenas uma a cada quatro empresas no Brasil tem participação feminina em cargos de liderança, segundo estudo apresentado pelo Grupo Talenses, em parceria com o Insper. O padrão não é muito diferente em todo o mundo: ao redor da Terra, o índice atinge 29% das empresas, segundo a Women in Business 2019.

De acordo com a mestre em Serviço Social Verônica Szuster, que ocupa cargo de sócia-diretora da MedLevensohn, a atuação das mulheres no mercado ainda é uma barreira a ser ultrapassada. “O público feminino sofre com bastante preconceito, mas estamos avançando, aos poucos, na igualdade de gênero na sociedade, em especial a partir da segunda metade do século passado e das duas primeiras décadas do atual”, explica.

Segundo pesquisa da McKinsey, divulgada em 2015, a equidade entre homens e mulheres, incluindo salários e funções de liderança nas empresas, poderia adicionar US$ 12 trilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) global até 2025. De acordo com a Women Will Brasil, o PIB brasileiro poderia crescer em até 30% se o público feminino estivesse presente no ambiente profissional na mesma proporção do que o masculino.

Para Verônica Szuster, dada a grave dimensão dessas desigualdades de gênero, há muito a se avançar. “São muitas dificuldades, partindo da persistente carga extra de trabalho e responsabilidades inerentes ao chamado cargo de ‘dona de casa’”, afirma. “A sensação que tenho é que os progressos são muito lentos, mas devem ser comemorados e colocados como parâmetros para a continuidade da luta em favor da igualdade de gênero”.

Relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) Mulheres, apresentado em setembro, mostrou que pouco mais da metade da população feminina com idades entre 25 e 54 anos é economicamente ativa, contra 96% dos homens nessa mesma faixa etária. Uma das principais causas, afirma a entidade, é que as mulheres continuam a realizar trabalho doméstico triplo como mãe, esposa e dona de casa.

De acordo com o estudo do Grupo Talenses, as empresas que assumem um compromisso formal com o empoderamento das mulheres e a igualdade de gênero apresentam uma probabilidade duas vezes maior de ter participação feminina em cargos de liderança. “Precisamos enraizar este esforço nas corporações brasileiras para conquistar o nosso merecido espaço”, conclui a sócia-diretora da MedLevensohn. (Da Redação)