Crédito: Divulgação/Câmara de Comércio

O ambiente de negócios para as empresas de base tecnológica continua aquecido. A desmaterialização do modus operandi e da economia, provocada pelo distanciamento social, destacou a necessidade de digitalização de diversos setores.

O financiamento de inovações disruptivas e incrementais, porém, ainda não é tão fácil e aproveitar as oportunidades é fundamental para o desenvolvimento dessas empresas.

O fundo Caravela Capital, sediado em Curitiba (PR), busca startups em estágio inicial para investir R$ 75 milhões divididos em cheques entre R$ 1 milhão e R$ 3 milhões, beneficiando entre 15 e 20 startups nos próximos três anos.

Para se candidatar, segundo o cofundador da Caravela Capital, Lucas de Lima, a empresa precisa já estar faturando.

“Somos um fundo focado em empresas em estágio inicial com alto potencial de escalabilidade. Os investidores do fundo são 20 mentores que são fundadores ou representantes das maiores empresas de base tecnológica do País em diferentes segmentos. Nos valemos da experiência deles para escolher as nossas investidas. Além disso, olhamos alguns fatores como tamanho de mercado e o potencial de escalabilidade. Gostamos de empreendedores que queiram estar à frente do negócio e impactar o mundo. Investimos muito nas pessoas, por isso não fazemos questão de empresas que queiram ser vendidas no curto prazo. Os produtos e serviços que elas oferecem devem resolver problemas de forma mais eficiente do que as soluções que já existem no mercado. Optamos por aquelas que já estejam faturando, ainda que por poucos meses, para enxergar algumas métricas inclusive de satisfação dos clientes”, explica Lima.

Além do dinheiro, o Caravela acompanha de perto o empreendedor e a empresa, disponibilizando mentorias e também atuando no dia a dia. São feitas reuniões mensais, nas quais o CEO apresenta os resultados gerais da empresa (faturamento, desafios futuros, crescimento).

Para se candidatar, a startup deve mandar um e-mail para [email protected] “A empresa já manda o seu material de apresentação e marcamos uma reunião. Falamos com todo mundo que entra em contato.

A inovação, as boas ideias podem vir de qualquer lugar, sob diferentes condições e, por isso, não deixamos de falar com ninguém. A partir dessa conversa é que identificamos se há sinergia e damos continuidade ao processo ou não”, pontua.

Desafios – A Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha de São Paulo (AHK São Paulo) também oferece oportunidades para startups de todo o Brasil. A ideia é atender desafios propostos por sete empresas de ponta: Basf Bayer, Centro Alemão de Ciência e Inovação São Paulo (DWIH São Paulo), Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Siemens Energy, Siemens Industrial e Voith. O programa Startups Connected está na quinta edição e quer promover o desenvolvimento de novos negócios entre grandes empresas e startups do Brasil e da Alemanha.

De acordo com o diretor de Inovação e Tecnologia da Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo, Bruno Vath Zarpellon, são aceitas empresas ainda em estágio embrionário. O importante é que elas atendam exemplarmente três requisitos: a ideia precisa ser aderente ao desafio lançado, ser viável e inédita.

“Os pré-requisitos são poucos: a startup deve ter sido desenvolvida no Brasil ou na Alemanha e ter uma equipe de, no mínimo, três pessoas, com mais de 18 anos. Como o programa é baseado em desafios, ele costuma ter empresas com perfis diferentes de maturidade. Muitas soluções apresentadas estão na ciência de base, então elas demoram mais para serem desenvolvidas. O nosso objetivo não é gerar proveitos a partir da relação com a startup mas, sim, atender o problema da grande empresa. Não somos uma aceleradora de startups. Somos uma aceleradora de projeto entre grandes empresas e startups”, defende Zarpellon. Desafios:

Basf – We Care – Qualidade de Vida – soluções baseadas em tecnologias emergentes e modelos inovadores que avaliem a condição de limpeza e higienização ou sinalize a contaminação. Espera-se que esta solução seja acessível para aplicações em superfícies e segura para contato animal e humano, além de terem flexibilidade de customização, escalabilidade e custo competitivo.

Bayer – Diagnóstico Inteligente – soluções baseadas em tecnologias emergentes e modelos inovadores que acelerem o diagnóstico, otimizando o tempo e os recursos de todos os envolvidos.

Hospital Alemão Oswaldo Cruz – Digitalização da Jornada do Paciente – soluções baseadas em tecnologias emergentes e modelos de negócios inovadores que contribuam na digitalização e otimização da jornada de pacientes, principalmente daqueles portadores de câncer.

Siemens Energy – Gestão Inteligente de Energia – soluções baseadas em tecnologias emergentes e modelos inovadores que gerem informações valiosas a partir de dados reais de equipamentos da empresa. Trata-se de um desafio voltado à aplicação de tecnologias digitais em processos e equipamentos de geração e gestão de energia que também leve em conta aspectos cruciais para os clientes e para a Siemens, como segurança cibernética e privacidade de dados.

Siemens Industrial – Realidade Aumentada na Indústria e Infraestrutura – startups baseadas em tecnologias emergentes e modelos inovadores com soluções que aproximem o ambiente presencial ao digital e facilitem os operadores da indústria e de áreas relacionadas à infraestrutura.

Voith – Embalagens Sustentáveis Inteligentes – soluções que tragam mais tecnologia e modernidade às embalagens, garantindo confiabilidade, segurança, comodidade, juntamente aos processos de fabricação, destinação e reciclagem que permita o avanço de uma economia circular.

E ainda há um desafio para startups residentes na Alemanha interessadas em atuar em nível empresarial, além de estabelecer cooperação científica e Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) no Brasil. As inscrições podem ser feitas pelo site até o dia 20 de julho.

“É um processo de seleção pragmático, fazemos com que as empresas reflitam sobre o próprio negócio. As cinco primeiras colocadas passam por um diagnóstico e isso é muito rico para elas. A startup selecionada continua na sua base geográfica e oferecemos um escritório de projetos em São Paulo. O principal benefício que ela recebe é desenvolver o projeto com a empresa âncora. Iniciamos com uma oficina de imersão para sair com um planejamento para os próximos três meses. A solução não é absorvida necessariamente pela empresa âncora. Criamos o ambiente frutífero para novos negócios. Durante o programa a empresa e a startup ganham maturidade para tomar a decisão”, afirma o diretor de Inovação e Tecnologia da (AHK São Paulo).

Mais oportunidades – Com prêmio de até R$ 20 mil, a Belvitur promove o “Abrindo Caminhos para a Inovação” no intuito de potencializar a inovação no turismo. O desafio acontecerá por meio de um evento 100% on-line e funcionará em três etapas. Serão premiadas três startups nas categorias: Traveltechs, Entretenimento e mídia, Fintech, Insurtech e Telecom.

Somente serão aceitas inscrições de pessoas jurídicas, com preferencialmente menos de 24 meses de atividade. Os participantes poderão competir em equipes formadas por até quatro pessoas. A avaliação levará em conta os critérios: Escalabilidade; Produto/Serviço (estágio de desenvolvimento, validação com clientes e grau de inovação); Time (grau de dedicação dos sócios, composição da equipe e presença de desenvolvedores) e Tração (resultados obtidos, crescimento de usuários, clientes e modelo de negócios).

O regulamento e as inscrições para o desafio, até 22 de julho, estão disponíveis no site.

XPrajá evita desperdício de 20 mil/t de produtos em MG

Com a crise gerada pela pandemia e a queda do tíquete médio do brasileiro, vários produtos ficam parados nos estoques das indústrias. Sem a venda, normalmente eles seriam descartados no meio ambiente.

Com a solução de recolocação de produtos no varejo, a XPrajá já evitou que 20 mil toneladas fossem descartadas só em Minas Gerais desde janeiro.

“A crise tem impactado fortemente o estoque da indústria, que acelerou a produção no início da quarentena com a alta demanda da população. No entanto, as pessoas têm comprado apenas itens básicos e os produtos de alto valor agregado estão parados. Para não perder a produção, a indústria vê a XPrajá como uma solução”, explica Vinícius Alves Abrahão, idealizador da greentech XPrajá.

Transformar a cadeia de descarte da indústria gerando novas oportunidades no varejo para produtos que iriam para o lixo e, assim, solucionar problemas socioambientais. Este é o propósito da greentech Xprajá.

Atuando majoritariamente com as grandes indústrias brasileiras, a XPrajá passa agora a operar também com indústrias mineiras de médio porte recolocando produtos no varejo que antes eram vendidos apenas para franquias. A greentech já transacionou mais de R$ 25 milhões em valor de mercado no Estado e deve chegar a cerca de R$ 40 milhões no primeiro semestre.

Os produtos recolocados são bens de consumo, como alimentos, materiais de limpeza e de higiene pessoal. Só no ano passado, a startup Xprajá evitou o desperdício de 21 mil toneladas de produtos, transformando prejuízo em lucro para a indústria, além de trazer mais competitividade para o varejo brasileiro, sem canibalizar o mercado, e mais oportunidade para a população de adquirir produtos de alta qualidade por um preço menor.

Tecnologia – Cerca de 3% do faturamento da indústria se perde no descarte de itens que não servem mais. São aqueles com data crítica (perto do vencimento), os descontinuados (sem mais fabricação) e os remanufaturados (com pequenos defeitos).

Pensando em uma companhia que fatura mais de R$ 1 bilhão, essa porcentagem representa um prejuízo de milhões de reais em produtos, fora o custo que se tem para destinar esse “lixo” corretamente.

Com foco nestes itens, a Xprajá funciona como uma plataforma on-line de tecnologia própria. Nela, a indústria pode filtrar para onde, quem e a quantidade mínima de produtos que serão distribuídos. Já os varejistas cadastrados – normalmente de grande e médio porte – analisam as ofertas e dão “match”. Geralmente o preço médio é 75% mais barato do que o de mercado.

Todo o processo de compra e entrega é direto entre indústria e varejo, mas o acompanhamento e intermediação é de responsabilidade da greentech.

“Utilizamos a força dos dados para gerar mais inteligência no negócio, impedir a canibalização do mercado e, principalmente, transformar positivamente o processo do consumo em suas várias etapas. Reposicionar é muito mais sustentável que descartar e reciclar”, aponta o fundador da XPrajá.

70% da operação da XPrajá encontra-se em Minas Gerais, sendo que parte do escritório administrativo está em Lavras., no Sul do Estado.

Desperdício vira oportunidade – O negócio nasceu em 2017, a partir da indignação do empreendedor ao ouvir um amigo, dono de um aterro, relatar sobre algumas toneladas de salsichas que seriam enviadas para o descarte por conta da proximidade do seu vencimento.

“Tive um sentimento de inquietação ao descobrir que todo esse montante de alimentos seria desperdiçado, ainda mais sabendo que no final de semana teria uma grande festa no Nordeste, com público estimado em milhares de pessoas. Foi aí que tive o estalo inicial, já que conhecia o fornecedor dos produtos alimentícios da comemoração“, lembra Abrahão.