Ao invés de abrir novas plantas ou ampliar o parque industrial, gestores devem buscar soluções que otimizem a produção, comenta especialista | Crédito: Divulgação

O percentual de indústrias brasileiras que pretendem investir neste ano é o maior desde 2014, ano da deflagração da crise econômica.

Naquele período, 85% dos empresários do setor relataram que iriam aportar novos recursos, enquanto em 2020, 84% das empresas afirmam que pretendem investir na operação, segundo a pesquisa “Investimentos na Indústria”, realizada anualmente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O resultado mostra a recuperação do otimismo no setor industrial, uma vez que o índice deste ano é 4% superior a intenção relatada em 2019. 

Entre os principais objetivos para 2020, o destaque fica por conta da melhoria do processo produtivo. De acordo com a pesquisa, 36% das empresas apontam que o aumento de produtividade é o grande alvo quando pensam em investir – percentual semelhante ao previsto no ano passado.

Na sequência, 23% dos gestores assinalaram que pretendem ampliar a capacidade da linha produtiva. 

Matheus Pagani, CEO da Ploomes: “A sinalização da pesquisa é importante para o mercado, porém o investimento precisa ser realizado de maneira racional” | Crédito: Divulgação

Para Matheus Pagani, CEO da Ploomes, empresa que detém plataforma de CRM voltada às indústrias e distribuidoras, a sinalização é importante para o mercado, porém existe o alerta sobre o risco envolvido para algumas empresas do setor.

“Antes de contratar mais mão de obra e atualizar seu parque de máquinas, os líderes precisam ter evidência concreta sobre sua real demanda em 2020. Essa previsão jamais pode ser feita pelo chão de fábrica. A orientação deve ocorrer via inteligência administrativa do departamento comercial”, explica.

Nesse contexto, as plataformas de Customer Relationship Management (CRM), ou gestão de relacionamento com o cliente, podem ser a ponte da comunicação entre a administração e a produção da indústria, gerando previsão de demanda por meio de relatórios de venda em primeira mão.

“Ao acompanhar o ciclo completo de vendas de um produto em tempo real, o departamento comercial das indústrias pode fornecer informações valiosas para uma produção Just-in-Time, economizando recursos financeiros e fornecendo soluções personalizadas que fidelizem seus clientes mais estratégicos”, argumenta Pagani.

Dados coletados pela consultoria Gartner revelam que o mercado global de CRM cresceu 15,6% em 2018 – último dado disponível. Com movimentação acima de US$ 48 bilhões, os softwares de gestão de relacionamento com o cliente já lideram o segmento corporativo, superando o ERP.

A previsão é de que o faturamento atinja US$ 80 bilhões até 2025 com a tendência de centralização das operações das empresas em torno do cliente (Customer Centric).

“O setor industrial já entendeu a relevância de incorporar um CRM em sua gestão. Algumas indústrias começam a usufruir do efeito cascata trazido pela inteligência comercial, uma vez que eles aumentam a performance dos vendedores e, consequentemente, elevam os ganhos financeiros com a maior recorrência de vendas dentro da carteira de clientes. Por isso, antes de investir na modernização da produtividade, é de suma importância observar esse detalhe”, conclui o CEO da Ploomes.