Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O distanciamento é uma medida efetiva e recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para a contenção do avanço do novo coronavírus (Covid-19). Quando ele não é totalmente possível, deve ser controlado.

No município de Nepomuceno, por exemplo, onde o vírus já chegou, a prefeitura, entre outras ações, determina a entrada de apenas uma pessoa a cada dois metros de área quadrada livre nos estabelecimentos comerciais, considerando o número de funcionários e clientes.

Para permitir um controle eletrônico, que poupe funcionários de ficar na entrada desses ambientes distribuindo senhas e correndo risco de contaminação, o campus Nepomuceno do Cefet-MG, atento às demandas do local em que atua, desenvolveu o projeto de extensão “Sistema automatizado de controle de fluxo de pessoas em estabelecimentos comerciais para a prevenção do Covid-19”.

A ideia partiu dos estudantes de Engenharia Elétrica Allan Machado e Gabriel Spuri, que se mostraram interessados em contribuir socialmente para o controle de pessoas em estabelecimentos essenciais, como supermercados, padarias e farmácias, destaca um dos orientadores da ação, professor Felipe Delgado que, ao lado do professor Gabriel Cambraia, receberam a proposta e estudam ferramentas para a implementação do sistema.

Funcionamento – Sensores de presença com informações para comerciantes e clientes e plataforma com dados para as pessoas evitarem ir a estabelecimentos lotados compõem o mecanismo do projeto. Basicamente, os dados dos sensores de identificação de entrada e saída de clientes são enviados para um sistema de contagem, que mostrará, em tempo real, a quantidade de consumidores no local.

Enquanto o número de clientes estiver abaixo do estabelecido pela prefeitura, uma luz verde é acionada, permitindo o acesso. Quando estiver no limite, uma luz vermelha indica que o cliente deverá aguardar a saída de, pelo menos, uma pessoa, explica o professor Felipe Delgado.

Além dos consumidores, os dados também devem beneficiar os comerciantes. “Eles estarão disponíveis para a gerência dos estabelecimentos comerciais e poderão auxiliar na identificação de parâmetros, tais como, horários de pico em cada dia da semana.

Com isso, o empresário terá informações para gerenciar a quantidade de caixas nesses horários específicos, o que diminuirá as filas e poderá ajudar a reduzir o contágio da doença”, detalha.

Também está prevista a criação de uma plataforma específica, “como um aplicativo de celular, para que os consumidores estejam informados e evitem sair de casa quando os empreendimentos estiverem lotados”, finaliza.

Bem coletivo – A ação, que alcança as esferas social, econômica e política, como defende o professor Felipe Delgado, busca preservar a saúde de funcionários e clientes e beneficiar também gerentes de estabelecimentos comerciais.

“Os clientes se sentirão mais confiáveis ao frequentarem locais que possuem controle eficiente de fluxo de pessoas, pois sabem que as chances de contágio são reduzidas. Do ponto de vista da medicina do trabalho, o contato direto do consumidor com o colaborador na linha de frente é extinto e a probabilidade de contágio dos funcionários é menor, reduzindo a necessidade de contratar colaboradores temporários. Por fim, esse projeto é uma garantia de que a saúde dos funcionários não seja comprometida, permitindo que eles possam trabalhar menos preocupados por saber dos meios de contenção à doença adotados pela empresa”, completa.

Passo a passo – O projeto, aprovado em edital da Diretoria de Extensão e Desenvolvimento Comunitário do Cefet-MG, está em fase inicial. No momento, os alunos estão recebendo capacitação dos docentes para operarem equipamentos, instrumentos e softwares a serem utilizados.

Na sequência, o grupo trabalhará na elaboração da lógica de operação, montará e testará o protótipo a fim de garantir que a sua aplicação seja altamente confiável. Ao final, o projeto será apresentado à equipe de enfrentamento do Covid-19 da Prefeitura de Nepomuceno para a sua utilização durante a pandemia, detalha o professor Felipe Delgado. (Da Redação)