Apesar de a inadimplência do consumidor estar em trajetória de desaceleração, o indicador apresentou o primeiro recuo em mais de dois anos somente neste mês (-0,27% sobre novembro) e os níveis de endividamento da população continuam elevados. A partir deste cenário, o Banco Semear, com sede em Belo Horizonte, lançou a hackathon da recuperação de crédito – uma maratona entre assessorias de cobrança para renegociar as dívidas de milhares de clientes.

Iniciada no fim de novembro e prestes a completar um mês, a campanha vai até 31 de dezembro e vai beneficiar cerca de 32 mil clientes inadimplentes. De acordo com o especialista de Recuperação de Ativos do Varejo do Banco Semear, Gabriel Torres de Carvalho Timochenco, até o momento, mais de mil acordos foram negociados.

“A meta é atingirmos 1.500 até o fim do mês. Acreditamos que será possível, pois os descontos variam de 15% a 70%, de acordo com a faixa de atraso. Além disso, as assessorias participantes estão empenhadas em conseguir o maior número de recuperação e firmar a parceria com o banco”, disse.

É que além de beneficiar os próprios clientes a partir dos descontos, a empresa vencedora terá a chance de tornar-se parceira efetiva da instituição financeira e também será indicada aos varejistas parceiros do Semear. Ao todo, são cinco empresas participantes, entre assessorias tradicionais, digitais e até escritórios de advocacia, com o desafio de conseguir renegociar o máximo de dívidas das modalidades CDC e empréstimo pessoal. Cada empresa recebeu em média 6.500 clientes para cobrança.

“Esta é a primeira maratona no estilo hackathon para o mercado de recuperação de crédito que se tem notícia no Brasil. Foi uma maneira de inovarmos na busca de um novo parceiro e, ao mesmo tempo, ajudar nossos clientes a recuperarem o crédito na praça”, explicou.

A época do ano também beneficia os acordos, já que além de estarem ávidas a voltarem a consumir, em virtude do Natal, as pessoas estão com mais dinheiro disponível por causa do 13º salário. Neste ano há também os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) que funcionarão como um incremento a mais.

O nível de inadimplência hoje no banco Semear está em torno de 14% e, segundo Timochenco, 38% dos clientes possuem dívidas de, em média, R$ 1.700. “O nível não chega a estar maior que nos últimos anos, mas agora começa a cair. Nossa expectativa é que diminua ainda mais com a retomada efetiva da economia a partir do ano que vem”, finalizou.