Edital de Inovação para a Indústria tem o objetivo de fomentar a inovação em empresas brasileiras de todos os portes - Divulgação

Benjamin Salles Duarte *

São centenas de condicionantes que afetam o processo de difusão de inovações tecnológicas na agricultura, pecuária, horticultura, fruticultura, que não se restringem apenas aos cenários rurais e onde milhões de empreendedores, entre os classificados como familiares, médios e grandes empresários, se dedicam às culturas, criações, e ao setor florestas, estratégico!

Podem-se avaliar, sem muito esforço dedutivo, as crescentes demandas por pesquisas e novos conhecimentos científicos e tecnológicos indispensáveis à gestão das inovações no campo que, agregando-os à tomada de decisão, contribuam para universalizar saberes e experiências em fina sintonia com os mercados globalizantes. Contudo, segundo o pesquisador Eliseu Alves, da Embrapa, a inovação somente existe se for adotada nos processos produtivos a que se destinam e haja lucratividade!

Não há como dissociar a tecnologia e a prática numa perspectiva de cenários de múltiplas condicionantes que devem se associar principalmente dentro da porteira da fazenda, e sem exclusões desnecessárias nessa abordagem ainda que limitada, pois o acesso ao conhecimento antecede a qualquer mudança, e vale não apenas nos domínios da agropecuária como também na indústria, agroindústria, comércio e serviços. Essa é a lógica!

Assim posto, entre milhares de exemplos, a semente híbrida de milho tem mais de 100 anos de genética nela embarcada, e com produtividades excepcionais de mais de 30 toneladas por hectare nos EUA, contra a média brasileira de 5.448 quilos, safra 2018/19. Além da semente, a cultura requer a análise do solo, fertilizantes calibrados, preparo correto do solo, destacando-se o plantio direto, tratos culturais, irrigação, colheita na hora certa, zelo na redução dos presumíveis impactos ambientais, gestão da cultura e vigoroso acesso à outras informações indispensáveis.

Noutro ângulo convergente, o artigo dos pesquisadores Jorge Duarte e Eliseu Alves, ambos da Embrapa, titulado: “ O elemento invisível no progresso tecnológico” aborda com profundidade um elenco de conhecimentos adicionais e exigidos de quem planta e cria para além da visão de produtos agropecuários. Se se pudesse resumir, sem banalizar a ciência, seria o seguinte: não basta gerar a inovação; é fundamental que seja compartilhada e adotada; tenha lucratividade, e contribua à qualidade de vida!

Pode-se admitir que esse artigo de Duarte e Alves, igualmente substantivo num elenco de outros pesquisadores dedicados à economia agrícola, estabeleceria, enquanto minha avaliação, também uma visível e estimulante vinculação com a assistência técnica e extensão rural (Ater), e até poderia reavivar uma antiga fórmula do processo de comunicação; 3Q + CO + P = quem fez; o que fez; quando fez; como fez; onde fez; e por que fez.

Essa lógica também se encontrava inserida nos treinamentos de extensionistas no mundo da comunicação rural, que aconteciam no extinto Centro de Ensino e Extensão da Universidade Federal de Viçosa (CEE-UFV). Aclarar conceitos, processos e avaliações!

Presume-se que essa abordagem metodológica, entre outras, possa continuar atual, guardadas as devidas proporções e sem saudosismos, o que não deixaria de ser parte indissociável de um processo técnico-educativo, compartilhado, para além do foco da transferência mecanicista de saberes e experiências, pois ainda há muita coisa o que fazer e aprender no campo, e apesar dos notáveis e reconhecidos avanços tecnológicos da agricultura.

Em Minas Gerais, o cenário agroeconômico abriga 607.448 estabelecimentos rurais, sem dúvida alguma, um universo aberto à inovação se houver políticas públicas e entregas efetivas aos produtores para que eles tomem decisões mais corretas em seus negócios sustentáveis.

*Engenheiro agrônomo