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Os investimentos globais em negócios de fintechs caíram drasticamente no primeiro semestre de 2019 com a estagnação das atividades e negócios de captação de recursos na China – que haviam disparado um ano antes, compensando parcialmente os ganhos nos EUA, Reino Unido e outros países europeus, de acordo com a análise da Accenture (NYSE: ACN) sobre os dados da CB Insights.

O valor total das transações de empresas de tecnologia financeira globalmente nos primeiros seis meses do ano (encerrados em 30 de junho) foi de US$ 22 bilhões, uma queda de 29% comparada com os US$ 31,2 bilhões movimentados no mesmo período de 2018.

A queda deveu-se principalmente à falta de um negócio gigantesco, como a arrecadação recorde de US$ 14 bilhões da Ant Financial (antes Alipay, do grupo Alibaba) em maio de 2018. Se desconsiderada esta transação, os investimentos em tecnologia financeira global teriam subido 28% no primeiro semestre de 2019 em relação ao mesmo período do ano passado.

O valor dos negócios nos EUA no primeiro semestre de 2019 saltou 60%, para US$ 12,7 bilhões, embora o número de transações tenha permanecido praticamente inalterado em relação ao primeiro semestre de 2018 (564 vs. 563), sinalizando uma tendência de maiores negócios no maior e mais ativo mercado de fintech do mundo.

A maior parcela do financiamento, 29%, foi para startups de empréstimos, seguida por startups de pagamentos, com 25% do total. O maior acordo do mercado nesse período foi o US$ 1 bilhão que a empresa fintech de financiamento ao consumidor Figure Technologies Inc. obteve de linha de crédito em maio.

O investimento em fintechs no Reino Unido quase dobrou, para aproximadamente US $ 2,6 bilhões, e o número de negócios saltou 25%, para 263, com os novos players desses mercados continuando a atrair o interesse dos investidores.

A Monzo, por exemplo, levantou US$ 144 milhões em junho; a Starling Bank levantou US$ 211 milhões de duas transações separadas em fevereiro; a startup de transferência de valores TransferWise fechou um negócio de US$ 292 milhões em maio; e a WorldRemit arrecadou US$ 175 milhões em junho.

“Há muito interesse e demanda dos consumidores pelas novas propostas das fintechs, particularmente no Reino Unido e em outros lugares da Europa, o que ajuda a explicar o grande salto nos investimentos nesses países”, explica Julian Skan, diretor administrativo sênior da área de Serviços Financeiros da Accenture.

“A captação de recursos também está se movendo para apoiar as startups concorrentes e colaborativas a ganharem escala, o que causará uma aglomeração em alguns mercados com a aproximação do fim do ciclo de investimento, em que os investidores buscam retornos sustentáveis em vez de outros compradores. A questão é: quanto tempo isso deve durar? É provável que os investimentos cheguem a um patamar de estabilidade em breve e, provavelmente, caiam mais para frente”, conclui.

Outros mercados europeus também registraram avanços, com os investimentos em fintechs mais que dobrando na Alemanha no primeiro semestre de 2019, passando de US$ 406 milhões no mesmo período do ano passado para US$ 829 milhões, liderados pelos US$ 300 milhões que o banco N26 levantou em janeiro e o investimento de US$ 125 milhões na insurtech Wefox Group em março.

A captação de recursos na Suécia mais do que quadruplicou, chegando a US$ 573 milhões, enquanto as fintechs na França arrecadaram US$ 423 milhões no primeiro semestre de 2019, 48% a mais do que um ano antes.

Também houve ganhos na captação de recursos na região Ásia-Pacífico, com o valor dos negócios em Cingapura passando para US $ 453 milhões, quase quatro vezes mais, e o valor dos negócios na Austrália mais que triplicando, alcançando os US $ 401 milhões.

Investimentos em startups de pagamentos e de empréstimos concentraram a maior parte dos investimentos globais em fintechs, correspondendo a 28% e 25% do total, respectivamente, enquanto os insurtechs abocanharam uma fatia de 14%.

O número de negócios em fintechs no mundo subiu para 1.561, cerca de 2% a mais desde o primeiro semestre de 2018, mas os dados variaram nos maiores mercados do mundo. Embora o número de negócios tenha se mantido nos EUA e aumentado consideravelmente no Reino Unido, China e Índia registraram quedas de 49% e 21%, respectivamente.

Mas as quedas foram compensadas ​​pelo maior volume em outros lugares, incluindo em outras partes da Ásia – como Cingapura e Japão que tiveram aumentos em 55% e 33%, respectivamente – e na Europa, com o número de negócios dobrando na Suécia, chegando a 40, e subindo 27% na Alemanha, para 56.

“O aumento da atividade em muitos mercados é um bom indicador do nível de confiança que os investidores têm na indústria de fintechs”, afirma Piyush Singh, diretor-executivo da Accenture, que lidera a área de Serviços Financeiros para Ásia-Pacífico e África.

“As startups e as soluções que elas oferecem estão amadurecendo, o que é um bom presságio para instituições tradicionais parceiras de fintechs e para a inovação no setor de serviços financeiros como um todo”.