Apesar de cautela na B3, fundamentos seguem positivos
Tensão entre EUA e Irã e disseminação do coronavírus têm afetado Bolsa brasileira e indicado que 2020 não será fácil - Crédito: Amanda Perobelli/Reuters

São Paulo – Incertezas externas adicionam alguma cautela no cenário para ações brasileiras em fevereiro, embora estrategistas avaliem que os fundamentos do País continuem positivos, bem como o prognóstico de retomada do crescimento do Brasil apoia ainda a visão positiva para o Ibovespa no médio e longo prazos.

Profissionais da área de renda variável recordaram que 2020 começou com perspectivas positivas para o mercado acionário brasileiro, mas o aumento da escalada nas tensões entre Estados Unidos e Irã nos primeiros dias de janeiro e a volatilidade adicionada pelo coronavírus sinalizaram que não será um ano fácil.

“Os fundamentos positivos se mantêm, mas, por enquanto, têm sido neutralizados por incertezas externas e maior aversão ao risco”, afirma a equipe da BB Investimentos, em relatório a clientes com as recomendações para o mês, acrescentando que prefere ficar “neutra” para a bolsa.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou o mês passado com queda acumulada de 1,6%. Para o analista Filipe Villegas, da Genial Investimento, 2020 não será um ano tranquilo e o primeiro mês já deu uma amostra do que está por vir. Ele destaca que somente aquele que melhor escolher suas ações deverá conseguir “vencer o mercado”, conforme relatório a clientes com as carteiras para fevereiro.

Estrategistas do BTG Pactual, por sua vez, avaliam que, embora seja muito cedo para fazer uma avaliação concreta do impacto do coronavírus na economia global, o sell off do mês passado pode ter criado uma oportunidade de aumentar a exposição às ações brasileiras.

“Os dois principais catalisadores para o desempenho das ações brasileiras em 2020 permanecem intactos: uma recuperação econômica em aceleração e fluxo de recursos contínuos para ações”, avaliam Carlos Sequeira e Osni Carfi, em relatório a clientes com suas ideias para o mês.

Temporada de balanços – Analistas também estão atentos à temporada de resultados de empresas brasileiras, que ganha fôlego neste mês, tanto quanto ao desempenho das companhias no final do ano passado, como às projeções para 2020.

Ainda no radar está o retorno do Congresso Nacional, com as reformas e as privatizações passando a ganhar foco, destaca o analista Régis Chinchila, da Terra Investimentos, chamando a atenção também em nota a clientes para a decisão de política monetária do Banco Central nesta semana. (Reuters)

Economistas veem Selic a 6% no fim de 2021

Brasília – O mercado reduziu sua expectativa para o patamar da taxa básica de juros, a Selic, no final do próximo ano, para 6%, frente à projeção anterior de 6,25%, mostrou a pesquisa Focus do Banco Central (BC) divulgada ontem.

Para este ano, o prognóstico para a taxa Selic foi mantido em 4,25%, mas os cerca de 100 economistas consultados reduziram ligeiramente a estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) do período, de 2,31% para 2,30%, e também cortaram a projeção para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 3,47% para 3,40%.

A taxa Selic está atualmente em 4,50% ao ano, mínima histórica, e o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne esta semana para deliberar sobre os juros.

O centro da meta oficial de 2020 é de 4% e, de 2021, de 3,75%, ambos com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Dólar – As projeções para a taxa de câmbio permaneceram em R$ 4,10 por dólar para o final deste ano, mas, para o final de 2021, subiram para R$ 4,05 por dólar, sobre estimativa anterior de R$ 4,00.

O Top-5, grupo das instituições consultadas no Focus que mais acertam as previsões, está prevendo IPCA de 3,40% este ano e de 3,75% no próximo, com Selic de 4,25% ao final de 2020 e de 6,25% em 2021. (Reuters)