BC reduz Selic a 4,25% e indica fim do ciclo de cortes
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Brasília – O Banco Central (BC) reduziu ontem a Selic em 0,25 ponto percentual à nova mínima histórica de 4,25% ao ano e indicou expressamente o fim do atual ciclo de cortes na taxa básica de juros, em meio à leitura de que os ajustes já feitos ainda vão surtir efeito na economia.

A decisão vem após outros quatro cortes feitos na Selic anteriormente, de 0,5 ponto cada, a partir de julho do ano passado. Também veio acompanhada de uma piora na avaliação sobre as medidas de inflação subjacente – os núcleos de inflação, que desconsideram os preços mais voláteis. Segundo o Copom, elas se encontram em “níveis compatíveis com o cumprimento da meta de inflação”. Antes, o BC considerava que eles estavam “confortáveis”.

“O Copom entende que o atual estágio do ciclo econômico recomenda cautela na condução da política monetária. Considerando os efeitos defasados do ciclo de afrouxamento iniciado em julho de 2019, o Comitê vê como adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária”, afirmou o BC, em comunicado.

“O Comitê enfatiza que seus próximos passos continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação, com peso crescente para o ano-calendário de 2021”, acrescentou, indicando que mira com cada vez mais atenção o próximo ano.

Em seu balanço de riscos, o BC frisou que o atual grau de estímulo monetário, que atua com defasagens sobre a economia, pode elevar a trajetória da inflação acima do esperado no horizonte relevante para a política monetária.

Segundo o BC, esse risco se intensifica com aumento da potência da política monetária por conta das transformações na intermediação financeira e no mercado de crédito e capitais, em uma provável menção a maior participação do crédito livre na economia.

A deterioração do mercado externo para emergentes e uma frustração no andamento das reformas também podem atuar nesse sentido, disse o BC.

Como risco baixista para a inflação, o BC citou apenas a possibilidade de o nível de ociosidade elevado continuar produzindo uma trajetória prospectiva abaixo da esperada.

Setores – A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) comemorou o corte na taxa de juros anunciado pelo Banco Central. Para a entidade, a medida é um fator importante para a melhora da atividade econômica, que está abaixo dos níveis esperados.

“(…) A manutenção da política monetária estimulativa é consistente com o cenário econômico nacional e mundial. A queda de juros destaca-se como um dos principais vetores do processo de recuperação em curso das economias brasileira e mineira. Juntamente com a observada elevação dos níveis de confiança de empresários e consumidores, esperamos a concretização de investimentos e a melhora do mercado de trabalho em 2020”, trouxe a entidade em nota enviada à imprensa.

Para o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Aguinaldo Diniz Filho, a redução da Selic visa  expandir os meios de pagamento através da ampliação do mercado de crédito e promover o incremento dos investimentos, produção, consumo e fortalecimento da geração de empregos.

“A redução torna oportuno para as empresas investirem em bens de capital, capital de giro e para realizarem o realinhamento financeiro – trocar uma dívida mais onerosa por uma com melhores condições”, afirmou o presidente da ACMinas em comunicado.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Marcelo de Souza e Silva, também destaca a importância da medida para a atração de investimentos diretos e criação de postos de trabalho.

“Sabemos que, com a decisão de continuar a cortar os juros, o governo pretende incentivar o mercado, o que é benéfico para toda a cadeia produtiva. Ao diminuir a taxa Selic, a tendência é reduzir os custos do crédito e incentivar a produção e o consumo. E para os setores de comércio e serviços é fundamental que seja criado esse ambiente mais favorável para a expansão dos negócios, a geração de emprego e renda”, afirmou. (Com informações da Reuters)