O cartão de crédito continua sendo a opção de pagamento mais utilizada pelos consumidores - Crédito: Marcos Santos/USP Imagens

O percentual de endividados em Belo Horizonte recuou em dezembro, atingindo 74,2% da população, valor 1,7 ponto percentual (p.p.) inferior ao registrado no mês de novembro (75,9%). Esse foi o menor patamar alcançado pelo índice em 2019.

O indicador integra a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), elaborada pela Fecomércio-MG, com base em dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

A queda no endividamento, no último mês do ano, reflete um conjunto de fatores, como explica o economista-chefe da Fecomércio-MG, Guilherme Almeida.

“Essa oscilação é comum em dezembro, uma vez que o consumidor opta por antecipar as compras e aproveitar as ofertas da Black Friday, realizada em novembro. Além disso, com o incremento do 13º salário e os saques do FGTS, a população tem a opção de efetuar os pagamentos à vista, garantindo bons descontos”, avalia.

A pesquisa da federação mensurou também o percentual de inadimplência, que indica a proporção de famílias com contas atrasadas na capital mineira.

“Esse é o segundo mês de elevação do indicador, que alcançou 32,3%, valor 1,1 ponto superior ao registrado em novembro. Se compararmos com o mesmo período de 2017, o índice avançou ainda mais: 7,3 pontos”, observa Almeida.

Já o percentual de consumidores que afirmaram não ter condições de quitar a dívida apresentou queda de 1 p.p. na avaliação mensal, assumindo o valor de 13,9% em dezembro.

Dentre as formas de pagamento, o cartão de crédito continua como a opção mais utilizada em Belo Horizonte. Em dezembro, 86,6% usaram essa modalidade, índice ainda maior em famílias com mais de dez salários mínimos (91,4%).

Outras formas de endividamento que se destacaram foram o financiamento de carro (14,2%), os carnês (12,5%), o cheque especial (10%), o financiamento imobiliário (9%) e o crédito consignado (9,1%).

“Observamos um crescimento de 1,4 ponto no uso do cheque especial em relação ao mês anterior. Como essa modalidade passou a contar com novas tarifas de cobrança, é importante que o consumidor fique atento às suas finanças e não a utilize como um complemento da renda, mas apenas em casos de emergência”, destaca o economista-chefe.

A pesquisa mostrou, ainda, que as famílias de Belo Horizonte comprometem sua renda com dívidas por um período médio de sete meses.

Na capital mineira, o endividamento representa 10% da renda familiar para 68,2% dos entrevistados, sendo que, para 24,1%, esse percentual atinge 50% do orçamento mensal. (Da Redação)