Crédito: REUTERS/Altaf Hussain

Um superávit de 1 milhão de barris por dia (bpd) em oferta deve limitar ganhos no mercado de petróleo no primeiro semestre de 2020, disse nesta terça-feira (21) o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), Fatih Birol.

Em participação no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, Birol afirmou nos bastidores à Reuters que não deve haver expectativas de um aumento significativo nos preços sob “condições normais”, embora situações inesperadas, como a crescente instabilidade no Iraque, possam alterar o cenário.

O Iraque, segundo maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), tem passado por violentos embates entre a polícia e manifestantes contrários ao governo, que pressionam por uma reforma do sistema político local.

“Eu vejo uma abundância de oferta de energia em termos de óleo e gás. Essa é a razão para que incidentes que vimos recentemente –com o general iraniano morto, as tensões na Líbia– não tenham impulsionado os preços do petróleo”, afirmou Birol.

Ele destacou que as cotações do petróleo Brent giram em torno dos 65 dólares por barril, nível semelhante ao visto à época do fórum de Davos do ano passado, mas disse que não é possível “relaxar”, mencionando ter preocupações com possíveis escaladas no Iraque.

Mesmo diante dos cortes de produção pelo grupo de países conhecido como Opep+, Birol disse que a IEA espera um “panorama de mercado confortável” em 2020, com superávit de 1 milhão de bpd ao menos na primeira metade do ano.

“A oferta vai crescer de maneira muito forte a partir de países não membros da Opep. De países como Estados Unidos, Brasil, Noruega e Guiana esperamos mais de 2 milhões de bpd em petróleo”, afirmou.

Em termos de demanda, a IEA vê um crescimento de cerca de 1 milhão de bpd em 2020, “especialmente por países emergentes”.

(Reuters)