Descaracterização deve custar US$ 671 mi a mais
Crédito: REUTERS/Washington Alves

São Paulo – A mineradora Vale informou que seu resultado do quarto trimestre de 2019 trará ajustes que elevarão em US$ 671 milhões as atuais provisões para descaracterização de barragens, segundo fato relevante divulgado ontem.

A companhia anunciou planos para descaracterizar estruturas construídas pelo método conhecido como “a montante” após o rompimento de uma barragem desse tipo em Brumadinho, em janeiro do ano passado, um desastre que deixou mais de 255 mortos e levou à revisão de regras para o setor de mineração no Brasil.

A reguladora Agência Nacional de Mineração (ANM) estabeleceu, após o incidente, que barragens de rejeitos a montante instaladas no Brasil deverão ser gradualmente desativadas entre 2022 e 2027, a depender do tamanho de cada uma delas.

A Vale afirmou que as novas estimativas para os custos com a desativação dessas unidades incluem uma provisão de US$ 716 milhões para descaracterização das barragens Doutor e Campo Grande e de três estruturas de empilhamento drenado associadas.

A companhia não havia realizado provisão anterior para essas estruturas porque elas eram antes classificadas como construídas com método de “linha de centro”, mas após estudos técnicos foram registradas como barragens “a montante” e incluídas nos planos.

A Vale também disse que a descaracterização de algumas barragens a montante com diques menores exigirá provisão de US$ 315 milhões adicionais a valores reconhecidos no segundo trimestre de 2019.

A Vale ainda disse que contabilizará outros US$ 87 milhões em ajustes de provisão para planos de desativação relacionados a estruturas localizadas nas proximidades de Córrego do Feijão, onde ficava a mina que se rompeu em Brumadinho.

A companhia, por outro lado, registrou redução de US$ 447 milhões na provisão feita anteriormente para descaracterização de nove barragens a montante, após o progresso das obras fornecer informações mais precisas sobre os valores necessários.

Segundo a Vale, a primeira descaracterização de barragem realizada pela companhia, na unidade 8B, foi concluída em dezembro, enquanto a segunda, da estrutura conhecida como “Fernandinho”, será concluída em 2020.

A empresa também disse que já construiu uma estrutura de contenção para a barragem Sul Superior, na cidade de Barão de Cocais, em Minas Gerais, e prevê concluir trabalho semelhante para as barragens B3/B4 e Forquilhas no 1° semestre deste ano, “aumentando as condições de segurança nas áreas a jusante das barragens e permitindo que os trabalhos de descaracterização se iniciem a seguir”. (Reuters)