O dólar à vista encerrou a sexta em baixa de 0,63%, cotado a R$ 4,16 na venda, mais forte desvalorização diária desde dezembro - Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil Usada em 18-10-19

São Paulo – O dólar teve, na sexta-feira (17), a maior queda percentual diária de 2020, com o bom humor externo após dados melhores da China abrindo espaço para uma correção de baixa apenas um dia depois de a cotação escalar para acima de R$ 4,20.

O ajuste de baixa foi potencializado pelo nível “esticado” do dólar, medido pelo índice de força relativa (IFR) de 14 dias, que, na véspera, alcançou 65,9, máxima desde o fim de novembro passado.

O indicador vai de zero a 100. Leituras próximas de 70 sugerem que um ativo (no caso, o dólar) está com excesso de valorização, o que aumenta a probabilidade de realização de lucros.

O dia já começou positivo com dados da China. A segunda maior economia do mundo teve em 2019 o crescimento anual mais lento em quase três décadas, mas a atividade ganhou ritmo no último trimestre do ano. “Considerando que o resultado é pré-acordo com os EUA, o pior parece ter ficado para trás”, disse a XP em nota.

Outras moedas emergentes se valorizavam na sessão, com destaque para as latino-americanas, com peso mexicano, peso chileno e o real liderando os ganhos nos mercados globais de câmbio.

O dólar à vista fechou a sexta em baixa de 0,63%, a R$ 4,1648 na venda. É a mais forte desvalorização desde 30 de dezembro do ano passado (-0,91%). Na véspera, a cotação bateu R$ 4,2020 na venda, pico intradia desde 5 de dezembro de 2019. Na B3, o dólar futuro de maior liquidez perdia 0,50%, a R$ 4,1680 na sessão.

As firmes altas dos últimos dias, porém, garantiram um dólar para cima nesta semana, período em que acumulou ganho de 1,73% – o mais forte desde a semana finda em 8 de novembro passado (+4,34%). É a terceira alta semanal consecutiva para o dólar, que, em 2020, já se aprecia 3,79%, o que impõe ao real o pior desempenho entre 33 rivais.

Gabriel Gerzstein, chefe global de estratégia para mercados emergentes do BNP Paribas, até acredita em alguma apreciação para a moeda doméstica até o fim do ano, mas que seria guiada, sobretudo, por fatores externos.

Queda na atratividade – Ele cita que a moeda brasileira perdeu atratividade pela redução do carry (retorno baseado na taxa de juros), em um cenário de fluxo cambial negativo, ruídos na América Latina, estratégia de uso do câmbio como hedge de posições compradas em outros mercados (como bolsa de valores) e pagamento antecipado por empresas brasileiras de dívidas no exterior.

Em revisão de cenário, o Itaú Unibanco manteve estimativa de que o dólar fechará 2020 a R$ 4,15. “No curto prazo, os movimentos da moeda brasileira devem continuar relacionados à perspectiva de recuperação da economia”, disse o banco no relatório. (Reuters)

Debêntures líquidas batem recorde

São Paulo – O número de debêntures consideradas líquidas no mercado secundário alcançou recorde em dezembro de 2019. De acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), as 84 séries registradas no período representam o maior resultado mensal desde 2012.

Em relação a novembro, por exemplo, houve alta de 38%. O avanço puxou para cima a média mensal de ativos líquidos em 2019, que totalizou 46 debêntures, ante 25 em 2018. São considerados líquidos os ativos que têm, em média, um negócio por dia, volume de R$ 1 milhão negociado por dia e que passam pelo menos a metade do mês em negociação.

Os títulos com remuneração atrelada ao DI e ao DI + spread foram os responsáveis por boa parte desta alta. As debêntures indexadas ao DI consideradas líquidas passaram de sete, em novembro, para 17 séries, em dezembro, enquanto os papéis atrelados ao DI + spread saltaram de três para 13.

Esse crescimento está relacionado ao ajuste dos preços dos papéis em novembro, quando o IDA-DI (índice da Anbima que mede o desempenho das debêntures remuneradas pelo DI) registrou queda de 0,07%. O movimento de adaptação nos preços dos papéis promoveu a retomada da demanda por parte dos investidores no mês seguinte, aumento no número de negócios e valorização de 0,43% no IDA-DI. (Da Redação)