BB prorroga empréstimos para produtores afetados
Crédito: Divulgação/Emater

Neste comentário, fugiremos do assunto pandemia que tem ocupado todas as atenções para tratar de um outro que até há pouco era predominante. Estamos falando das chuvas que, especialmente na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foram intensas nesse início de ano, atingindo volume sem registro anterior.

A chuva acumulada nos três primeiros meses do ano foi o equivalente ao previsto para o ano inteiro, com uma carga de consequências que são bem conhecidas. Para estudiosos e especialistas na matéria, eventos totalmente fora do padrão, que se repetem em longos intervalos.

Até certo ponto um alívio, mesmo para quem se lembra que todos os anos, no verão, as cheias se repetem, mesmo que em menor escala capazes de produzir estragos e perdas relevantes.

Resolver a questão, no caso das metrópoles como Belo Horizonte, essencialmente fruto da ocupação acelerada e sem adequado planejamento, demanda, em primeiro lugar, disposição verdadeira; segundo, tempo e recursos que são escassos. Não necessariamente, lembra a engenheira, professora e doutora em recursos hídricos Márcia Maria Guimarães, em trabalho realizado conjuntamente com a Sociedade Mineira de Engenheiros (SME).

Seguida a trilha que ela aponta, será necessário um intervalo de seis a oito meses, o que significa dizer que, independentemente de qualquer obra que venha a ser concluída nesse mesmo intervalo de tempo, no próximo verão, em 2021, os riscos maiores poderão ser eliminados, não importando a intensidade das chuvas.

A professora e a SME falam do óbvio, da ausência de sistemas preventivos e de informação, com monitoramento permanente e mecanismos de alerta, indicando também o nível que a água deverá atingir nos cursos d`água, com foco pelo menos nas regiões mais sensíveis e assim identificadas. Alertadas, as pessoas terão mais tempo para reagir, buscando proteção.

Para a frente, a Sociedade Mineira de Engenheiros lembra que é preciso aumentar o tempo de concentração, ou o intervalo de tempo que a água gasta para ir da cabeceira do curso d’água ao canal principal de escoamento, prejudicado pela impermeabilização do solo, tudo isso impedindo o escoamento em condições normais.

Bacias de contenção, ou “piscinões”, diz o engenheiro Sérgio Menin, ajudariam a restaurar o equilíbrio e a segurança, são obras mais baratas e que poderiam ser entregues em menor tempo. A SME aponta que o alargamento dos canais de escoamento implica em dificuldades que no momento não podem ser desconsideradas e lembra que é possível reduzir a velocidade da água, utilizando, por exemplo, degraus de dissipação da energia.

Resumindo, e com toda propriedade, para a SME a abordagem de tema tão sensível deixou de ser técnica, passou a ser política e os resultados não poderiam ser outros.