Crédito: REUTERS/Yuri Gripas

Tiros e foguetes de um lado e de outro, reação a reação numa escalada sempre imprevisível, o planeta está mais uma vez na gorda bamba e novamente por conta das tensões no Oriente Médio, que tem como pano de fundo o petróleo. Impossível imaginar até que ponto poderá chegar a escalada, mas a hipótese de uma terceira guerra mundial, felizmente com boa dose de exagero, já foi mencionada mais de uma vez, tendo em conta que ao lado do Irã estão a Rússia e a China e do outro lado o bloco liderado pelos Estados Unidos.

Para o Brasil, depois de arroubos intempestivos, o que se passa do outro lado do mundo tem pelo menos três implicações objetivas. O comércio com o Irã, que é relevante para o País, possíveis reflexos na economia global com retração nos negócios e mudanças bruscas nos preços do petróleo. Esta a questão mais imediata, uma vez que embora o País seja exportador de óleo cru, portanto ganhador quando os preços sobem, é importador de refinados, o que corresponde a uma ameaça. Segundo números da Agência Nacional do Petróleo (ANP), referentes a 2018, o Brasil naquele ano importou 11% da gasolina que consumiu, 23% do óleo diesel que responde por cerca de 70% das cargas movimentadas, e 23% do GLP, cuja alta de preços tem levado as populações mais pobres de volta ao consumo da lenha.

São dados que bastam para expor nossa maior fragilidade, consequência direta da falta de equilíbrio entre os investimentos em prospecção, extração e refino, hoje deficitário. Tal evidência não impede a Petrobras de colocar à venda oito de suas treze refinarias, com capacidade de produção de 1,1 milhão de barris/dia, enquanto a ANP, nas palavras de seu presidente, reforça que a alternativa é a busca de investimentos externos, em ofertas necessariamente atrativas, com a garantia “lógica” – na sua operação – que os preços futuros estejam atrelados à paridade internacional, reino da especulação e do real controle da economia global.

Nenhuma palavra sobre os esforços da Petrobras e do País para chegar à autossuficiência, que, não custa recordar, na crise do petróleo nos anos setenta do século passado, era apontada como estrategicamente essencial. Esforço que está sendo perdido, assim como a tecnologia de extração a grandes profundidades, que nos levaram a reservas que estão entre as maiores do planeta.

A crise atual no Oriente Médio, de desfecho imprevisível, apenas reforça a importância de escaparmos da dependência externa e revela que fazer o contrário, como muitos defendem, não é mais que agressão aos interesses do País e de seu povo. Ou uma burrice que salta à vista, sem necessariamente guardar qualquer relação com corrupção e outros maus feitos.