Crédito: REUTERS/Rodolfo Buhrer

À medida em que os casos de contaminação avançam, numa progressão que assusta, crescem também com velocidade o número de casos que demandam internação hospitalar. Uma situação que já é bastante difícil e, no Brasil, ainda não atingiu o momento crítico.

Quem conhece e é capaz de interpretar a evolução do coronavírus em países como China e Itália, estima que no Brasil o pico da pandemia ocorrerá entre os meses de abril e maio.

Por horas, e numa condição que por outros motivos já é crítica, o fundamental, como vem sendo feito, é garantir o isolamento social e dessa forma o avanço das contaminações até um ponto incontrolável, fora da capacidade de atendimento do sistema de saúde.

Com o País parado, com a população das grandes cidades submetida a um confinamento compulsório, medida às vezes criticada, mas essencialmente a mesma adotada em países europeus e, mais recentemente, também nos Estados Unidos, é fácil perceber o tamanho do problema.

Uma situação, e sem que vá na afirmação qualquer exagero, de guerra, uma experiência nunca antes enfrentada. Nesse contexto, só cabe solidariedade e soma de esforços, com cada autoridade, cada empresário, cada indivíduo independentemente de sua condição fazendo o máximo e o melhor que puder. A quem fugir à regra deve estar reservado tratamento próprio de uma situação de guerra. Não há escapatória, não pode haver contemplação.

Em hospitais de São Paulo, onde de momento estão concentrados o maior número de casos positivos, médicos e responsáveis por grandes hospitais já estão bastante preocupados com suas condições de atender aqueles que deles necessitarem.

Não falam apenas no caso de piora do quadro, de falta de equipamentos cruciais como respiradores. Contam que pode faltar, ou já está faltando, também equipamentos de proteção dos profissionais da saúde e apontam que máscaras comuns, que custavam onze centavos a unidade, hoje são fornecidas por cinco reais.

Máscaras mais complexas passaram de um real para até 28 reais, situação que se repete, com maior ou menor variação, com cada item dos chamados EPIs. Existem indicativos de que esta é uma situação generalizada, comum em todo o País, onde respiradores que custavam aproximadamente 100 mil reais, hoje, quando encontrados, por eles são pedidos pelo menos 130 mil reais.

Não há como definir que a insensibilidade e a ganância de uns poucos cheguem a esse ponto, tal como acontece com o álcool gel. Dar um fim a esta situação é tão urgente quanto outras providências que vêm sendo tomadas e com o rigor reservado a quem comete crime de guerra.