Crédito: REUTERS/Pilar Olivares

Sobram motivos para preocupações. A propagação do coronavírus ganha velocidade, com consequências que não há como prever. Certo é que a economia, que a rigor vem patinando desde a crise financeira de 2008/09, será duramente afetada. Na verdade já está sendo afetada.

Começou pela China, num processo de quarentena sem procedentes, paralisou metrópoles e levou ao fechamento, temporário mas imprevisível, de grandes fábricas, numa reação também em cadeia e, em se tratando da segunda maior economia do planeta, afetando a tudo e a todos, numa escala que já chegou ao Brasil, a Minas Gerais, afetando o polo eletrônico do Sul do Estado e o agronegócio.

Como dizem médicos respeitados, em certo sentido a ameaça está sendo superestimada. Na realidade estaríamos diante de uma gripe, talvez com características mais fortes, mas ainda assim uma gripe e que, do ponto de vista da medicina, pode ser tratada de forma quase banal. Bastaria lembrar que lavar as mãos bem lavadas continua sendo a principal prescrição. O problema verdadeiro parece ser a velocidade da propagação, com as implicações, desconhecidas, de uma pandemia.

Mais ameaçadores, numa visão tanto pragmática quanto realística, podem ser os efeitos na economia global, quando se verifica, por exemplo, que grandes empresas na Europa, na Itália e Alemanha especialmente, já estão fechando – e “por tempo indeterminado” – suas unidades fabris, o que além da China aconteceu também na Coreia. É de se acreditar que os problemas estão apenas começando, que não existe nenhum sinal relevante de contenção, o que faz pensar num efeito dominó na economia, com implicações difíceis de prever.

Na perspectiva brasileira, por óbvio a que mais de perto nos interessa, é preciso mais que nunca estar atento aos acontecimentos e seus prováveis desdobramentos. Como alguém já disse, e a afirmação ganha agora conotações mais fortes, se a China espirrar o mundo pega um resfriado e o Brasil está nesse rol e já fragilizado pelas dificuldades que sua economia enfrenta.

Enquanto isso as ações necessárias, no plano interno, são retardadas pela falta de articulação entre as diversas esferas de governo, gerando tensões que a rigor paralisam o processo de reformas e, claramente, colocam em xeque a posição do ministro da Economia, o homem que é, ou deveria ser, o mais forte depois do presidente da República.

Fato é que as cordas estão no seu limite e continuam sendo esticadas. Fica o alerta e com eles a esperança de que a reação seja para o bem.