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Conforme é amplamente sabido, a recuperação da economia brasileira em 2019 ficou abaixo do esperado, com a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) prosseguindo perto de 1%, contra expectativas anteriores de até 3%. Essa situação, é claro, se reflete no desempenho dos negócios em geral, especialmente na indústria, e revela uma surpresa. Apesar de números tão modestos para o conjunto da economia, em bases realísticas praticamente negativas, os três maiores bancos privados que operam no País, num virtual monopólio que se completa com os dois bancos públicos, registraram no ano passado crescimento de 15,25% no seu lucro líquido, que somou R$ 58,8 bilhões, quase R$ 10 bilhões a mais que em 2018.  Para as circunstâncias, um feito que foge à normalidade, chamando atenção pela óbvia disparidade.

Conhecer ou, mais que conhecer, ter às mãos elementos que possibilitem exata compreensão do que se passa, é um dos passos essenciais para que a economia brasileira reencontre a normalidade. E, com ela, chances efetivas de ampliar investimentos, num contexto competitivo que favoreça produção, consumo e a própria renda. Em português mais claro, trata-se de trocar o investimento financeiro pelo investimento produtivo, exatamente como era defendido à época da crise de 2008/2009, muito bem definida como de “especulação ensandecida”. O que então era a expectativa de uma nova ordem econômica, focada na produção, no comércio e, por consequência, na empregabilidade e no consumo, foi posta de lado, internacionalmente, em favor da salvação, com recursos públicos, dos próprios especuladores.

A economia mundial, que hoje vive o pânico e as incertezas da gripe chinesa, não se recuperou na velocidade inicialmente esperada e o efeito colateral mais perverso foi o aumento da concentração da renda, à custa do empobrecimento da maioria. No Brasil, a recuperação econômica que não avança e os ganhos financeiros desproporcionais guardam relação com o contexto apontado no parágrafo anterior. Apesar dos juros oficiais terem sido drasticamente reduzidos, mesmo que não acompanhados na ponta da demanda, e dos bancos terem fechado 430 agências no ano passado e demitido perto de sete mil funcionários.

No exercício, fechando o círculo, registrou-se expansão de 10,9% na demanda de crédito, alimentado por pequenas empresas e pessoas físicas, exatamente onde as margens são melhores. Se o País, finalmente, tomar coragem e buscar entender razões e significado desses números, estará a um só tempo corrigindo distorções e aproximando a economia do equilíbrio que lhe é fundamental.