Crédito: REUTERS/Andreas Gebert

O chefe da missão da Organização Mundial de Saúde (OMS) que esteve na China para acompanhar e apoiar o combate à gripe desencadeada pelo coronavírus e hoje vê a pandemia tomando proporções altamente preocupantes, declarou recentemente que o mundo não está preparado para enfrentar a doença e suas consequências, mas pode fazê-lo muito rapidamente.

Tal esforço, segundo ele, demanda uma mudança de mentalidade, mais responsabilidade, disciplina e compromisso por parte dos indivíduos e, aprendendo com a experiência chinesa, que perdeu 2,6 mil vidas, mas já celebra a curva descendente de contaminações, potencializar o uso dos recursos disponíveis, tendo claro a gravidade da situação.

Não foi o que aconteceu com países como a Itália, que hoje lamenta o maior número, em todo o mundo, de mortes provocadas pelo vírus, de certa maneira se repetiu na França e nos Estados Unidos e ainda acontece na Grã-Bretanha, cujo primeiro-ministro parece ainda não enxergar a gravidade da situação.

Ou no Brasil, que pode ter perdido um tempo precioso e onde só recentemente o presidente da República reconheceu que não estava diante de uma simples gripe. Reconhecer as proporções do problema significa também reconhecer a capacidade de enfrentá-lo, sugere o especialista da OMS.

Estamos falando de especialistas, na América do Norte e na Europa, que souberam estar atentos ao que se passou na China e já utilizam, com a mesma esperança de sucesso, uma droga prescrita para tratamento da malária, mas se revelou comprovadamente eficaz para curar pacientes atingidos pelo coronavírus. Espera-se que até esta terça-feira o Ministério da Saúde autorize sua prescrição e o presidente da República, Jair Bolsonaro, já determinou que laboratórios do Exército incrementem a produção da droga.

Agilidade, nesse campo observada também em laboratórios de diversas universidades no País, é decisiva e anima saber também que o País se mobiliza para recuperar respiradores, equipamento crítico para pacientes mais afetados e não disponíveis na quantidade que pode vir a ser necessária. Também em andamento estudos para produção local dessas máquinas, indisponíveis também no mercado internacional.

São ações agora fundamentais e que por isso mesmo deve ser destacada e suportada de todas as formas possíveis. Temos adiante uma grande ameaça e, possivelmente, dias sombrios. Temos também capacidade de reagir, de assumir uma atitude ativa em todos os planos para, como já foi dito neste espaço, sairmos melhor quando a tempestade passar.