Crédito: Antonio Cruz/ABr Usada em 08-07-19 Usada em 29-07-19

São consistentes os sinais de que, ao contrário do esperado, a economia brasileira não reagiu com mais firmeza no quarto trimestre do ano passado, não se mantendo a tendência observada no trimestre anterior. O desempenho do comércio, no seu período de maior movimento, teria sido superestimado, afetando a indústria e o setor de serviços, tudo isso conspirando para que o resultado do ano, medido pelo Produto Interno Bruto (PIB), seja sensivelmente reduzido em relação às expectativas, indo pouco além de 1%. Já o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), ficou em 0,90%, conforme revelado na semana passada. Analistas dos setores financeiro e industrial começam, assim, a dar sinais fortes de inquietação, chamando atenção para o ritmo lento de recuperação e, pior, destacando que esse comportamento pode derrubar também os prognósticos mais positivos que vinham sendo feitos para 2020, com revisão das previsões de crescimento, hoje mais próximas dos 2% que dos 3% que chegaram a ser apontados como possibilidade bastante concreta.

Quem observa esta cena aponta que, na esfera pública, de onde deveriam vir decisões que são cruciais para o setor privado, as atenções parecem continuar concentradas em questões menos relevantes do ponto de vista da gestão, como costumes e religião, enquanto decisões cruciais como aquelas que dizem respeito ao reequilíbrio das contas públicas, redução de despesas e do tamanho do Estado, ficam de lado, o mesmo acontecendo com as prometidas reformas que teriam como foco, pelo menos, a simplificação e a desburocratização. Nessa direção até agora muito pouco, quase nada, foi feito, enquanto não se tem notícias daquilo que se pode aguardar em nível pelo menos razoável de confiança.

Coincide com esta reversão de expectativas a divulgação, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) de estudos dando conta de que entre os anos de 2015 e 2018 mais de 25 mil indústrias fecharam suas portas no País, o que corresponde à média de 17 por dia. Muito provavelmente este será um dos mais fortes indicativos do processo de empobrecimento, na realidade de involução que o País enfrenta. São empregos de mais qualidade que são perdidos, é o valor agregado da oferta que diminui, é a pressão de concorrentes externos que cresce na mesma proporção, levando o País de volta à mera condição de fornecedor de matérias-primas, com chances cada vez mais reduzidas de real inserção no mundo desenvolvido.

É preciso enxergar a realidade, é preciso saber avaliar os riscos que corremos e o tamanho da tarefa por realizar para que, pelo menos, o rumo das transformações seja traçado e fique mais próximo.