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Especula-se muito sobre o futuro do automóvel, no que toca à sua concepção e construção, bem como no que diz respeito à forma como será conduzido e até mesmo sua propriedade. Surgem conceitos novos, como a substituição, na realidade já em andamento, dos obsoletos e pouco eficientes motores a explosão ao mesmo tempo em que a combinação de eletrônica e informática fez com que veículos autônomos deixassem os espaços da ficção para chegar à realidade, onde há espaço também, provavelmente mais limitado para formas ainda mais inovadoras, como veículos baratos mas capazes de voar, reproduzindo o conceito dos drones.

O leque de opções é bastante grande, respondendo a necessidades novas, ao mesmo tempo que ao esgotamento o modelo ainda é predominante, mas sabidamente de baixa eficiência, quando não inviável. Interesses econômicos, predominantemente da indústria petrolífera, mas também da indústria automotiva, retardaram essas mudanças, gerando problemas de mobilidade e ambientais que não têm mais como ser contornados. Daí a adesão, tardia, num processo que já é claramente percebido e para o qual recentemente chamou atenção o principal executivo da Volkswagen, hoje maior produtora de veículos no planeta, reconhecendo que sua empresa foi lenta ao perceber e começar implementar as novas demandas e que tanto ela quanto seus concorrentes só sobreviverão se transformadas em empresas de tecnologia, o que hoje provoca turbulências e exigirá “mudança radical de direção”.

Ainda segundo o executivo, na Europa, onde o setor vem encolhendo, seja por conta da redução da demanda, seja pela oferta mais competitiva de produtos asiáticos, se esta “virada” não for bem conduzida e bem-sucedida, somente na Alemanha mais de 400 mil empregos estarão em risco. Além de pertinentes, são observações que apontam também para um novo mundo, bem diferente do atual. O chefe da Volks está falando de uma corrida que já começou e na qual o Brasil, mesmo que ainda tenha um lugar ao lado dos grandes produtores mundiais de material de transporte, não está sabendo acompanhar,  pior, parece ignorar enquanto alimenta a ilusão de que o etanol possa ser uma resposta que nos atenda.

Não nos parece necessário apontar a importância da indústria automotiva para a economia nacional ou repetir, no que poderíamos utilizar os mesmos argumentos do executivo alemão, que para ser competitiva mais que atualizada, por suposto, ela tem que ganhar escala e competitividade. Ou enxergar a direção e seguir o rumo, sob pena de perder seu lugar na corrida que já começou.