Crédito: Charles Silva Duarte/Arquivo DC

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou um aumento de 0,50% na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) em fevereiro na comparação com janeiro.

Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número é praticamente igual ao que foi registrado no segundo mês do ano passado (0,51%). Já a variação acumulada em 12 meses na RMBH chegou a 3,67%, quinto menor resultado entre as regiões analisadas pela entidade.

O resultado mensal na RMBH, entretanto, foi o terceiro maior entre as 16 áreas pesquisadas, lideradas por Fortaleza (Ceará) e Aracaju (Sergipe). Além disso, conforme destaca o coordenador da pesquisa em Minas Gerais, Venâncio da Mata, os números destoaram do índice nacional, que foi de 0,25%. “Os principais motivos para essa diferença estão no grupo alimentação e bebidas”, afirma ele.

Na RMBH, o grupo mencionado por Venâncio da Mata teve um aumento de 0,75%, impactando o índice geral do mês em 0,15 ponto percentual (p.p.). A alta foi o resultado, principalmente, do incremento no preço da cenoura (35,55%), do tomate (33,13%) e das frutas (4,09%), que impactaram o índice, respectivamente, em 0,02p.p., 0,08p.p. e 0,04p.p.

Por outro lado, as carnes, que vinham em um aumento de preços no ano passado, recuaram 2,80%. A queda na batata-inglesa foi ainda maior, de 10,48%.

Educação – Observando a RMBH isoladamente, o maior crescimento veio do grupo educação (3,92%), cujo impacto no índice geral foi de 0,22p.p, o maior impacto em comparação aos outros grupos.

O incremento nessa área ocorreu, sobretudo, por causa dos reajustes historicamente praticados no início do ano letivo, sobretudo nos cursos regulares (5,32%). A alta nos cursos diversos, por sua vez, foi de 1,56%.

Conforme ressalta o coordenador da pesquisa em Minas Gerais, os cursos regulares englobam desde a educação de nível fundamental até o nível superior. Esses incrementos já são esperados, o que, afirma ele, sempre contribui para que o mês de fevereiro seja marcado pelo aumento do IPCA.

“Fevereiro, historicamente, é um mês em que geralmente há um aumento, justamente por causa do grupo educação, pois é quando ocorrem os reajustes”, ressalta Venâncio da Mata.
O grupo saúde e cuidados pessoais também apresentou crescimento, de 0,61%. Houve aumento dos itens de higiene pessoal (1,27%), com ênfase para produtos para pele (5,43%) e perfumes (5,14%), que impactaram o índice, respectivamente, em 0,02p.p. e 0,04p.p.

Despesas pessoais, por sua vez, apresentaram alta de 0,44%. O crescimento veio, sobretudo, por causa dos incrementos em pacotes turísticos (5,97%) e em hospedagens (2,05%), que impactaram o índice geral em 0,04p.p. e 0,02p.p.

Conforme ressalta Venâncio da Mata, esse é um aumento sazonal, tendo em vista, sobretudo, o período do Carnaval em fevereiro.

Por fim, do lado das quedas registradas nos grupos analisados pela pesquisa ficaram o vestuário (-0,35%) e a habitação (-0,58%), que teve o recuo puxado pela diminuição da energia elétrica residencial (-1,74%), gerando o maior impacto individual negativo de fevereiro (-0,08 p.p.).

“Isso se deu por causa da mudança de bandeira tarifária, de amarela para verde, entre janeiro e fevereiro”, ressalta Venâncio da Mata.

No Brasil, índice registrou alta de 0,25%

São Paulo/Rio de Janeiro – A inflação oficial do Brasil voltou a acelerar em fevereiro e ficou acima do esperado com os reajustes sazonais de educação, porém registrou, ainda assim, a taxa mais baixa para o mês em 20 anos.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve em fevereiro alta de 0,25%, depois de registrar avanço de 0,21% no mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ontem.

A leitura é a mais fraca para o mês desde 2000, quando foi de 0,13%, mas ficou acima da expectativa em pesquisa da Reuters de ganho de 0,15%.

No acumulado em 12 meses o IPCA foi a 4,01% em fevereiro, depois de ter chegado a uma alta de 4,19% em janeiro e ante taxa de 3,9% esperada em pesquisa da Reuters. O centro da meta de inflação para este ano é 4%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

“São taxas muitos próximas em janeiro e fevereiro, mas com explicações diferentes. Agora houve peso forte da educação, mas em janeiro houve fatores como queda das carnes, mas pressão de transportes e outros”, disse o gerente da pesquisa do IBGE, Pedro Kislanov.
“A taxa de 12 meses continua cedendo e mostra que a tendência é de uma inflação bem comportada”, completou.

O mês de fevereiro mostrou, segundo o IBGE, forte impacto do grupo Educação, que também registrou a maior variação, uma alta de 3,70%.

Isso reflete o avanço de 4,42% dos cursos regulares, item que deu ainda a maior contribuição individual para a taxa do IPCA de fevereiro. Os cursos diversos também se destacaram, após subirem 2,67%.

Os avanços de 0,73% nos preços e Saúde e cuidados pessoais e de 0,11% dos Alimentos e bebidas também tiveram impactos relevante.

Na outra ponta, Habitação recuou 0,39 e os custos de Vestuário caíram 0,73%.
O cenário de fraqueza da economia vem reprimindo a demanda e o consumo no Brasil. Em 2019, a atividade econômica cresceu apenas 1,1%, após expansão de 1,3% registrada tanto em 2018 quando em 2017.

As expectativas agora giram em torno da reunião de política monetária do Banco Central na semana que vem, depois de indicar novo corte na taxa básica de juros Selic ao afirmar que monitora atentamente os impactos do coronavírus nas condições financeiras e na economia brasileira.

As altas sucessivas do dólar ante o real, atingindo máximas recordes, também podem exercer alguma pressão sobre a inflação.

“Não vemos ainda impacto do dólar sobre os preços. Primeiro que tem um atraso entra alta e repasse, e esse repasse está comprometido por conta da conjuntura (econômica). A capacidade de rapasse ainda está limitada com a demanda fraca”, explicou Kislanov.

O gerente do IBGE ainda destacou que os efeitos do coronavírus sobre os preços pode aparecer mais para a frente, e em direções diferentes.

“Estamos vendo corrida lá fora por produtos como papel higiênico e pode, eventualmente, faltar em alguns mercados e aumentar preços. Por outro lado, pode haver queda nos preços de viagem, passagens, turismo, mas aumento da demanda por remédios e alimentos”, disse Kislanov. (Reuters)

IGP-M passa a subir 0,15% na 1ª prévia

São Paulo – O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) passou a subir 0,15% na primeira prévia de março, após registrar estabilidade no mesmo período do mês anterior, uma vez que os preços no atacado recuperaram alguma força, informou na quarta-feira a Fundação Getulio Vargas (FGV).

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) teve no período avanço de 0,20%, contra recuo de 0,15% na primeira prévia de fevereiro.

Os preços dos Bens Finais passaram de queda de 1,45% na primeira prévia de fevereiro para alta de 0,85% no mesmo período deste mês, impulsionado pelos alimentos processados, cuja taxa foi de -4,54% para +1,30%.

Enquanto isso, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que tem peso de 30% no índice geral, teve variação negativa de 0,06% na primeira prévia de março, ante alta 0,24% no mesmo período do mês anterior.

Uma queda de 1,08% nos preços de Educação, Leitura e Recreação, que haviam subido 1,47% no mês anterior, foi o destaque do grupo. O item passagem aérea ajudou nesse comportamento, já que passou de alta de 4,95% para recuo de 11,24%.

Por sua vez, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) desacelerou a alta a 0,34%, contra 0,37% na leitura de fevereiro.

O IGP-M é utilizado como referência para a correção de valores de contratos, como os de aluguel de imóveis. (Reuters)