Crédito: REUTERS/Brendan McDermid

São Paulo – A Eletrobras vai reduzir custos e alongar o prazo de sua dívida após uma emissão de títulos no mercado internacional liquidada nesta terça-feira (4), que atraiu forte interesse de investidores e ainda marcou um retorno às captações externas após quase uma década, disse à Reuters a diretora financeira da estatal, Elvira Cavalcanti Presta.

A maior elétrica do Brasil levantou US$ 1,25 bilhão com títulos que vencerão em cinco e dez anos, sendo que os recursos da transação serão utilizados para a recompra de títulos externos emitidos anteriormente e que venceriam em 2021.

Os títulos que expirariam no próximo ano tinham taxa de 5,75%, contra 3,625% da nova emissão para 2025 e 4,625% na transação com prazo até 2030.

“Estamos tornando a dívida mais barata e alongando os prazos, dentro de nossa estratégia de disciplina financeira”, disse Elvira, que destacou ainda a demanda pela emissão, que alcançou US$ 7,4 bilhões, ou cerca de seis vezes o valor da operação.

“Tivemos muita demanda, realmente muito relevante, e com investidores de alta qualidade”, comemorou a executiva, apontando que com o sucesso da operação o mercado externo volta a ser uma alternativa para a companhia.

Ela ressaltou, no entanto, que a Eletrobras ainda não tem planos de realizar novas captações no momento. “Pelo menos no médio prazo a gente não pretende fazer nenhuma nova emissão.”

A elétrica, no entanto, deverá buscar ainda no curto prazo operações de “hedge” para proteção contra a variação cambial devido à captação em dólares.

A diretora financeira explicou que receitas em dólares referentes a um empréstimo feito pela Eletrobras no passado para custear a hidrelétrica binacional de Itaipu funcionam como um “hedge natural” para a companhia, mas esses recebíveis acabarão em 2023.

“Como esses títulos vão até 2025 e outro até 2030, a gente vai precisar, sim, fazer uma operação de hedge. Vamos fechar isso nos próximos meses, estamos estudando”, afirmou.

“Não temos urgência de fechar essa operação imediatamente, temos condição de fazer com calma, com estratégia.”

A dívida líquida da Eletrobras fechou o terceiro trimestre de 2019 em R$ 22,1 bilhões, ou 2,3 vezes a geração de caixa (Ebitda) se desconsideradas indenizações que a companhia tem recebido pela renovação de contratos de transmissão de energia em 2012. No final de 2016, essa alavancagem era de 6,1 vezes.

(Reuters)