Levantamento da PwC aponta que executivos pretendem melhorar a eficiência operacional - Crédito: Divulgação

Os executivos brasileiros estão otimistas em relação aos resultados de suas empresas nos próximos 12 meses. É o que aponta a 23ª edição da Pesquisa Global com CEOs da PwC (23rd Annual Global CEO Survey), apresentada nesta semana  em Davos, na Suíça. Segundo o estudo, 78% dos líderes brasileiros relataram estar confiantes quanto ao crescimento de suas receitas – sendo 22% muito confiantes e 56% um pouco confiantes. Na pesquisa realizada no ano anterior, no contexto de expectativa de início de um novo governo, o otimismo era maior (95%). O mesmo panorama também pode ser visto ao redor do globo: 72% dos CEOs acreditam em um bom desempenho financeiro de suas organizações em 2020, frente a 82% na pesquisa anterior.

Quanto ao desempenho da economia global, há mais pessimismo. Apenas 19% dos CEOs brasileiros apostam em um cenário de aceleração do crescimento em 2020 (ante 50% em 2019), enquanto 45% preveem desaceleração. Este sentimento se repete na média global. Enquanto apenas 22% acreditam na melhora da economia global nos próximos 12 meses (na pesquisa anterior, eram 42%), 53% não veem sinais de melhora nesse período – chegando a um nível de pessimismo que não era visto desde 2012.

Para viabilizar o aumento das receitas neste ano, 84% dos CEOs brasileiros afirmaram apostar em seu crescimento orgânico. E mesmo com o maior pessimismo quanto à economia global, as empresas revelam que continuarão buscando estratégias para alcançar esse objetivo nos próximos 12 meses. Para isso, inovar será a palavra de ordem. Repetindo o mesmo cenário do ano anterior, 89% disseram que a principal estratégia será a melhoria da eficiência operacional, enquanto 78% vão investir no lançamento de novos produtos ou serviços e 52% buscarão colaborar com outros empresários e startups.

“As empresas brasileiras precisam elevar sua produtividade para obter competitividade e sucesso em 2020 e nos próximos anos. A pesquisa serve como um indicativo do que elas deverão fazer para alcançar esse objetivo, considerando, por exemplo, investimentos em tecnologia e também na qualificação de seus colaboradores. Esse é o desafio das empresas e também do Brasil”, comenta o sócio-presidente da PwC Brasil, Fernando Alves.

A pesquisa mediu também a percepção sobre as possíveis ameaças ao crescimento das empresas. Entre os principais motivos de preocupação, 50% dos CEOs brasileiros citaram as incertezas quanto ao crescimento da economia e também com o peso dos impostos. O cenário tributário ainda incerto é motivo de preocupação para 48% dos respondentes, seguido pelo excesso de regulamentação (47%) e inadequação de infraestrutura básica (47%). No campo político, o populismo é visto como risco por 42% dos executivos brasileiros, seguido pela taxa de câmbio volátil (38%) e pela incerteza política (36%).

Tecnologia – Certos de que a tecnologia continuará exercendo um impacto relevante nos negócios nos próximos anos, os CEOs brasileiros já vislumbram um cenário em que a automação estará cada vez mais presente e investir no desenvolvimento e na qualificação de seus profissionais é uma necessidade – e não mais uma questão de opção. O desafio do aumento da produtividade é o imperativo maior.

Entre as prioridades, estão os projetos voltados à qualificação profissional (upskilling), com foco em digital e visando o aumento da qualificação da força de trabalho e da inovação. Porém, de acordo com o levantamento da PwC, apenas 18% dos CEOs relataram progressos significativos ao estabelecerem um programa de qualificação em suas empresas, alcançando maior produtividade e retenção de talentos.

Um dos principais desafios para o alcance de níveis satisfatórios de qualificação, segundo 27% dos executivos brasileiros consultados, está na capacidade da força de trabalho de aprender novas habilidades. Outros 27% afirmam que a barreira está na motivação necessária para aprender e aplicar os novos conhecimentos. Tais índices estão acima das médias globais, calculadas em 14% e 13%, respectivamente.

Entre as prioridades tecnológicas dos CEOs, destacam-se a privacidade e proteção de dados, Inteligência Artificial e rede 5G – todas com 16% -, seguidas por segurança cibernética (14%), robótica (11%), Internet das Coisas (9%) e biotecnologia (9%). Comparando com o mercado global, tiveram percentuais inferiores no Brasil apenas privacidade e proteção de dados (17%) e segurança cibernética (27%). (Da Redação)

Confiança recua na média global

Mesmo com os níveis de confiança global apontando um cenário de declínio, alguns países demonstraram níveis mais altos de confiança quanto ao aumento das receitas em 2020, como no caso dos CEOs da China e da Índia, com 45% e 40%, respectivamente; dos Estados Unidos, (36%), Canadá (27 %) e Reino Unido (26%). As informações são da Pwc.

Quanto às principais ameaças às perspectivas de crescimento de suas empresas, os CEOs relatam o excesso de regulamentação como o principal motivo de preocupação – ao mesmo tempo em que estão prevendo mudanças regulatórias significativas no setor de tecnologia -, seguido por acirramento dos conflitos comerciais e pelas incertezas na economia global.

Os CEOs ao redor do mundo também relataram estar cada vez mais preocupados com questões ligadas às ameaças cibernéticas. Mudanças climáticas e danos ambientais também são motivo de preocupação, embora sejam temas que ainda não fazem parte do grupo das dez principais ameaças ao crescimento.

Para a produção da 23ª edição da Pesquisa Global com CEOs, a PwC entrevistou 1.581 executivos de 83 países, entre setembro e outubro de 2019, sendo 64 deles do Brasil. Das empresas representadas pelos CEOs na pesquisa, 46% tiveram receita de US$ 1 bilhão ou mais; 35% alcançaram receita anual entre US$ 100 milhões e US$ 1 bilhão; 15% alcançaram até US$ 100 milhões.

As entrevistas foram realizadas em caráter confidencial e os resultados foram apresentados, durante o Encontro Anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. (Da Redação)