Governo confirma Braga Netto na Casa Civil e Onyx na Cidadania
Crédito: Wilson Dias/Agência Brasil

Brasília – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) confirmou ontem a saída de Onyx Lorenzoni da Casa Civil. Ele chefiará agora a pasta da Cidadania, antes a cargo de Osmar Terra.

A Casa Civil será comandada pelo general do Exército Walter Souza Braga Netto, confirmando o terceiro ministro militar na cúpula do Palácio do Planalto.

Além de Braga Netto, outros dois generais chefiam a Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, e o GSI, Augusto Heleno.

O convite de Bolsonaro a Braga Netto, antecipado na quarta (12) pela Folha de S.Paulo, consolida a retomada do prestígio do núcleo militar no governo.

As trocas foram confirmadas pelo próprio Bolsonaro em suas redes sociais.

“Informo que o Ministério da Cidadania será comandado pelo deputado federal Onyx Lorenzoni. A Chefia da Casa Civil será exercida pelo General de Exército Walter Souza Braga Netto”, escreveu o presidente.

Ontem, ele havia dito que as trocas ministeriais seriam anunciadas apenas por meio de publicações no Diário Oficial da União.

O presidente agradeceu ainda Osmar Terra, que deverá reassumir o mandato de deputado federal. O agora ex-ministro negou a oferta feita por Bolsonaro de assumir uma embaixada.

“Agradeço ao Ministro Osmar Terra pelo trabalho e dedicação ao Brasil e que terá continuidade na Câmara dos Deputados”, escreveu.

A transmissão de cargos, pelo que informou o presidente, será realizada na próxima terça-feira (18) em cerimônia no Palácio do Planalto.

Bolsonaro passou a tarde sem agenda oficial, em reunião com seus principais aliados e conselheiros para resolver o novo desenho ministerial.

Houve resistência por parte de Braga Netto em aceitar o convite para assumir a Casa Civil. Por outro lado, o presidente chegou a pensar se essa seria a melhor solução devido às críticas de que militares são maioria na equipe ministerial palaciana.

Braga Netto é o atual chefe do Estado-Maior do Exército, liderou o Comando Militar do Leste e, durante dez meses em 2018, foi o interventor militar na área de segurança pública do Rio de Janeiro.

Grupos influente no começo do mandato de Bolsonaro, os militares haviam perdido poder ao longo de 2019. No lugar, ascendeu a influência da ala ideológica do bolsonarismo, comandada informalmente pelos filhos de Bolsonaro e composta por discípulos do escritor Olavo de Carvalho.

O cenário começou a mudar com a ida ao Planalto do general Luiz Eduardo Ramos, amigo de Bolsonaro que virou chefe da Secretaria de Governo.

Braga Netto é visto como um dos generais mais disciplinados de sua geração, e teve na intervenção militar na área de segurança do Rio de Janeiro o ponto alto de sua carreira até aqui.

Problemas não faltaram: mortes de civis em favelas e o assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol) e seu motorista ocorreram quando Braga Netto era responsável pelas forças policiais fluminenses.

Houve melhoria de alguns indicadores de violência e piora de outros, além do reaparelhamento de alguns setores da polícia durante a intervenção. Especialistas em direitos humanos, em geral, consideraram a iniciativa como inócua. Militares de alto escalão estimam que, dada a situação trágica que encontraram, a ação foi bem-sucedida ao fim.

Braga Netto subiu na carreira após a intervenção, saindo do Comando Militar do Leste e chegando à chefia do Estado-Maior do Exército, segundo posto na hierarquia interna da Força.

O ex-interventor é conhecido por trabalhar em silêncio, ao proverbial estilo mineiro de sua Belo Horizonte natal. Tem 62 anos e entrou em 1975 no Exército. É casado e tem dois filhos. (Folhapress)