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Guedes: câmbio de equilíbrio do País é mais alto

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Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Brasília – O câmbio de equilíbrio no Brasil é mais alto e sua flutuação também é atrelada ao andamento das reformas econômicas, afirmou ontem o ministro da Economia, Paulo Guedes, renovando o apelo pela aprovação de medidas como resposta ao ambiente de crise global.

“Brasil é país que tem juros mais baixos e o câmbio de equilíbrio um pouco mais alto, só que câmbio é flutuante. Tem coronavírus, tem crise, a reforma não está andando, ele sobe; a reforma está andando, ele desce. Então o câmbio vai flutuar, ele vai flutuar”, disse Guedes a jornalistas, ao chegar ao Ministério da Economia.

Questionado se este era o momento de vender reservas internacionais, o ministro indicou que essa leitura também depende do avanço das reformas, uma mensagem que ele lembrou que já externava antes mesmo do início do governo Jair Bolsonaro.

“Se as reformas avançam e as pessoas estão tentando comprar dólar, o Banco Central tem dito que vai vender. Se, ao contrário, as reformas não avançam e aí não tem fundamento a favor, aí a incerteza continua. Mas isso é um problema do Banco Central”, afirmou.

Em 2018, Guedes chegou a dizer que num caso de “ataque especulativo”, com o dólar em patamar de R$ 4,50 ou R$ 5, o BC poderia vender US$ 100 bilhões dentro da política de esterilização, o que também aceleraria o ajuste fiscal do País.

Quando Guedes falou com os jornalistas as negociações na Bolsa brasileira ainda não haviam sido temporariamente suspensas, o que aconteceu mais tarde com o acionamento automático do circuit breaker depois de o Ibovespa cair 10%.

A autoridade monetária aumentou a oferta de dólar à vista em leilão de US$ 3 bilhões e o diretor de política monetária da autarquia, Bruno Serra, pontuou que o BC vai intervir no câmbio pela duração e com o volume que entender ser necessário, mirando o regular funcionamento do mercado de câmbio.

“Se o mundo tá descendo e existe uma incerteza se as reformas vão prosseguir (no Brasil), fica essa instabilidade. Agora, se a nossa resposta for ‘vamos aprofundar as reformas’, a coisa se acalma. Da mesma forma o preço do petróleo”, disse Guedes.

“Quando o preço do petróleo subiu, todo mundo (falou) ‘greve dos caminhoneiros, terrível, a inflação vai voltar’. Aí o preço do petróleo cai e todo mundo vai falar o quê? O que nós vamos falar agora?”, completou.

Guedes avaliou que o coronavírus foi a gota d’água para um mundo que já estava em desaceleração econômica.

Citando o crescimento de 1,7% do PIB no quarto trimestre sobre igual etapa de 2018, o ministro disse ainda que o Brasil está em “plena reaceleração” e que deve aproveitar para seguir adiante com as mudanças na economia.

“O mundo descendo e o Brasil começando a subir. Aí veio o coronavírus. Isso agudiza a crise. Qual a minha resposta a isso? Temos que manter absoluta serenidade e a melhor resposta à crise são as reformas”, disse.

“O coronavírus está sendo só a gota d’água porque o mundo já estava desacelerando e o coronavírus na verdade virou uma pandemia que acelerou essa queda da economia mundial”, acrescentou.

Apesar do discurso, a equipe econômica ainda não enviou ao Congresso as prometidas reformas tributária e administrativa. Perguntado sobre o prazo de envio das medidas, o ministro afirmou que a proposta do Executivo para a reforma tributária será enviada “ou nessa semana ou semana que vem”.

Sobre a reforma administrativa, ele disse que o texto já está pronto e que agora “é questão de oportunidade”.

“Se presidente estivesse aí, de repente tava indo hoje. Semana passada quase foi”, afirmou ele.

“A equipe econômica é capaz, experiente, segura e está absolutamente tranquila quanto à nossa capacidade de enfrentar a crise. Agora nós precisamos das reformas”, frisou Guedes.
“O Brasil pode ser realmente o país que transformou a crise em reaceleração do crescimento, geração de empregos, em um mundo que está com sério problema. Eles estão realmente com problemas porque eles tiveram décadas de crescimento e esse crescimento se exauriu lá fora”, acrescentou o ministro. (Reuters)

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