Recuperação de depósitos judiciais e recursais
Crédito: Divulgação

O cálculo da inflação oficial do País, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com divulgação prevista para a próxima sexta-feira (7), terá como base a nova cesta de produtos e serviços, que foi atualizada para acompanhar mudanças nos hábitos de consumo da população brasileira.

É a primeira vez também que o indicador será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com preços coletados por robôs virtuais em páginas na internet.

A cesta contém 56 novos produtos e serviços que ganharam relevância no consumo dos brasileiros nos últimos anos, como transportes por aplicativo e serviços de streaming.

Entraram também no cálculo despesas relacionadas à vida saudável e estética, tratamento e higiene de animais domésticos e até o consumo de macarrão instantâneo.

Outros itens, porém, perderam espaço ou foram excluídos do orçamento das famílias, como aparelhos de DVD, assinatura de jornais e máquinas fotográficas.

Os componentes da inflação têm como base os resultados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018, que atualizou os hábitos de consumo, despesas e renda das famílias.

Coleta de preços – Além da nova cesta, a inflação de janeiro trará preços do transporte por aplicativo coletados por robôs, inovação que será ampliada para as passagens aéreas a partir do IPCA de fevereiro.

A novidade automatiza o processo que era realizado manualmente por técnicos que acessavam os sites das companhias e faziam simulações de centenas de preços de passagens, afirmou o gerente de Índices de Preços do IBGE, Pedro Kislanov.

Agora, a coleta dos dados é feita por uma técnica de programação chamada web scraping, que captura as informações nos sites de forma automática. Diversos testes foram realizados nos últimos dois anos e, de acordo com Kislanov, não houve grande diferença entre os preços coletados manualmente e os buscados pelos dois robôs.

O projeto deu tão certo que um terceiro robô, que coleta preços de hotéis, está em fase de testes. O IBGE também estuda aplicar a técnica para outros produtos, como materiais de higiene e livros.

“Conseguimos fazer uma coleta massiva de preços com os robôs, minimizando as chances de erros e apresentando um indicador ainda mais fidedigno. Também reduzimos custos com pessoal ao deslocarmos pessoas que faziam a coleta dos preços nos sites para outras tarefas”, disse ele, acrescentando que os critérios metodológicos não foram alterados com a automação, e a coleta manual e presencial continua para demais produtos e serviços.

Para o futuro, além dos robôs que começaram a ser usados este ano, a Coordenação de Índices de Preços do IBGE vislumbra coletar preços por notas fiscais eletrônicas e códigos de barras.

“Informações como preços e volume de consumo poderiam vir dos próprios supermercados. Seriam informações preciosíssimas para nós. Só que hoje em dia é uma informação muito cara. E, no caso das notas fiscais, dependemos de um acordo com as secretarias de Fazenda dos estados”, concluiu Pedro Kislanov.

(Agência IBGE)