Crédito: REUTERS/Essam Al-Sudani

São Paulo – A bolsa paulista teve o pior dia em mais de duas décadas nesta segunda-feira, em sessão marcada por circuit breaker e com as ações da Petrobras desabando 30% após decisões da Arábia Saudita derrubarem os preços do petróleo e adicionarem incertezas a um mercado já atingido por temores sobre os reflexos do coronavírus na economia global.

O Ibovespa caiu 12,17%, a 86.067,20 pontos, mínima desde dezembro de 2018 e a maior queda percentual diária desde setembro de 1998, ano marcado pela crise financeira russa. O volume financeiro foi expressivo e somou 43,9 bilhões de reais, ante média diária de 26,8 bilhões no ano.

Após essa segunda-feira, o Ibovespa passou a acumular queda de 25,6% em 2020. “Ainda estamos passando por um momento perigoso, com extrema volatilidade”, chamou a atenção a equipe do BTG Pactual.

Destaques

PETROBRAS PN fechou em queda de 29,7%, o maior declínio percentual diário para um fechamento, a 16,05 reais, mínima desde junho de 2018. PETROBRAS PN recuou 29,68%, a 16,92 reais. Tal desempenho representou uma perda de cerca de 91 bilhões de reais no valor de mercado da petrolífera de controle estata. O ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, descartou nesta segunda-feira medidas emergenciais a serem tomadas pelo governo diante da forte queda do petróleo.

VALE ON caiu 15,2%, a 37,83 reais, menor cotação de fechamento desde fevereiro de 2018, equivalente a uma perda em valor de mercado de 35,8 bilhões de reais. A mineradora, assim como outras siderúrgicas, foi contaminada pelas vendas generalizadas nos mercados, além da queda do minério de ferro na China. A Vale também divulgou que o talude norte da cava de sua mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais (MG), “continua deslizando para dentro da estrutura”.

ITAÚ UNIBANCO PN perdeu 6,93% e BRADESCO PN caiu 7,2%, também afetados pelo clima negativo no mercado como um todo. BTG PACTUAL UNIT liderou as perdas entre os bancos do Ibovespa, com queda de 18,07%

GOL PN e AZUL PN derreteram 17,43% e 17,01%, respectivamente, prejudicadas pela valorização do dólar, além de apreensões sobre o efeito negativo da disseminação global do novo coronavírus na demanda por viagens.

VIA VAREJO ON despencou 17,13%, também entre as maiores quedas, tendo de pano de fundo forte valorização do papel em 2019 e no começo do ano. A rival MAGAZINE LUIZA ON perdeu 10,96%.

HYPERA ON caiu 10,4%, tendo no radar resultado divulgado após o fechamento do mercado na sexta-feira, com queda de 22,9% no lucro líquido do quarto trimestre, para 238,8 milhões de reais no quarto trimestre de 2019. A empresa afirmou em teleconferência sobre o resultado que deve reduzir promoções e descontos em 2020 e contratar hedge para aquisição de parte de ativos latino-americanos da Takeda.

(Reuters)