Crédito: Pedro Ventura/Agência Brasília.

Rio – O trabalho informal é a principal ocupação da população de 11 estados brasileiros, informou na sexta-feira (14) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A queda do desemprego em 2019 foi puxada pelo aumento da informalidade, que atingiu 41,1%, seu maior nível desde 2016, e bateu recorde em 19 estados e no Distrito Federal.

O trabalho informal era a principal ocupação de mais de 40% da população em 21 estados. Apenas duas unidades federativas ficaram abaixo dos 30%, casos de Santa Catarina e do Distrito Federal. No DF, a informalidade também foi recorde, apesar de a taxa ser menor que a média do País.

“Em praticamente todo o País, quem tem sustentado o crescimento da ocupação é a informalidade”, disse a analista da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – Contínua (Pnad-Contínua), Adriana Beringuy.

A analista afirmou que em vários estados se observa que a taxa de informalidade é superior ao crescimento da população ocupada.

“No Brasil, do acréscimo de 1,819 milhão de pessoas ocupadas, um milhão é de pessoas na condição de trabalhador informal”, apontou.

São considerados informais os trabalhadores sem carteira, trabalhadores domésticos sem carteira, empregador sem CNPJ, conta própria sem CNPJ e trabalhador familiar auxiliar.

O trabalho informal atingiu o equivalente a 38,4 milhões de pessoas, apesar da estabilidade com relação a 2018. Houve um aumento de 0,3 ponto percentual e um acréscimo de um milhão de pessoas, segundo o IBGE.

No ano passado, o desemprego caiu em 16 estados, acompanhando o número nacional, que recuou de 12,3% em 2018 para 11,9%. A população ocupada aumentou 2% no Brasil, totalizando 93,4 milhões de trabalhadores em 2019.

Apesar do recuo na taxa de desemprego, na comparação com o menor ponto da série, quando atingiu 6,8 milhões em 2014, a população sem trabalho quase dobrou, crescendo 87,7% em cinco anos, disse o IBGE.

Foram 12,6 milhões de desocupados em média no ano de 2019, um recuo de 1,7%, ou 215 mil pessoas a menos, em relação a 2018.

Cerca de 25% dos desempregados no Brasil estão à procura de emprego há dois anos ou mais. Esse contingente chega a 2,9 milhões de pessoas. De acordo com o IBGE, 39,2% dos brasileiros desempregados estão procurando de trabalho há um ano ou mais e 84% há um mês ou mais.

A Pnad também mostrou dados sobre o mercado de trabalho no último trimestre do ano para homens e mulheres. A taxa de desemprego entre os homens (9,2%) é menor do que a observada entre as mulheres (13,1%).

A disparidade pode ser observada também entre brancos, que tiveram uma taxa de desemprego de 8,7%, e pretos (13,5%) e pardos (12,6%).

No quarto trimestre de 2019, o rendimento médio real da população ficou estável em 25 das 27 unidades federativas, estimado em R$ 2.340, tanto na comparação com o trimestre anterior quanto com o mesmo período de 2019.

A taxa de contribuição previdenciária média de trabalhadores com mais de 14 anos em 2019 ficou em 62,9% no país. Santa Catarina foi o estado com maior percentual (81,2%), enquanto o Pará teve a menor taxa (38,2%). (ABr/Reuters)