Crédito: Pilar Olivares/Reuters

São Paulo – A estimativa do Itaú Unibanco para o IPCA de 2020 contempla inflação abaixo do centro da meta e tem inclusive viés de baixa, depois de a alta dos preços em 2019 ter ficado acima do patamar central perseguido pelo Banco Central (BC) pela primeira vez desde 2016.

O banco prevê que o IPCA varie 3,50% em 2020, abaixo do centro da meta do governo, de 4,00%. Isso após o índice ter fechado 2019 com alta de 4,31%, acima dos 4,25% buscados pelo BC, depois de dois anos de taxas abaixo do centro da meta estipulada.

De acordo com Julia Araujo, economista sênior do Itaú, já neste mês de janeiro os preços das carnes – vilã do fim do ano passado – devem mostrar deflação, com a arroba do boi gordo estando na casa de R$ 200, depois de ter superado R$ 230 no fim do ano passado.

“A expectativa é de que parte dessas altas fortes do fim de 2019 se revertam em parte, o que, junto com a queda do dólar, nos faz adicionar um viés de baixa à nossa projeção (para o IPCA de 2020)”, disse Julia Araujo.

O dólar caiu 5,37% em dezembro passado – maior baixa para qualquer mês desde janeiro de 2019, depois de em novembro ter disparado para perto de R$ 4,30 e gerado temores de algum impacto mais visível sobre a inflação.

A economista do Itaú, porém, explicou que, mesmo em 2019, a inflação mais associada ao ritmo da economia – que considera serviços e bens industriais – ficou “bem comportada”, com alta de 2,9%, bem abaixo dos 4,25% do centro da meta, indicação de que não há pressões inflacionárias mais destacadas.

A previsão pelo Itaú de inflação abaixo da meta em 2020 corrobora expectativa do banco de novos cortes da Selic, que deverá terminar este ano em 4,00%, 0,50 ponto percentual abaixo do patamar corrente. A mais recente pesquisa Focus do Banco Central aponta juro básico de 4,50%, conforme mediana das projeções. (Reuters)