Brasília – Economistas pioraram suas contas para o déficit primário do governo central (Tesouro, Banco Central e Previdência) neste ano principalmente por uma queda nas receitas, mas ainda com margem ante a meta fiscal, conforme relatório Prisma Fiscal divulgado ontem pelo Ministério da Economia.

Segundo mediana de projeções coletadas até o quinto dia útil deste mês, a expectativa agora é de déficit primário de R$ 86,250 bilhões em 2020, sobre rombo de R$ 82,335 bilhões calculado no mês anterior.

O dado, contudo, segue confortavelmente distante da meta de um déficit de R$ 124,1 bilhões para este ano e é um pouco melhor que o rombo de R$ 95,065 bilhões de 2019, que acabou sendo piorado no apagar das luzes com a decisão do governo de capitalizar estatais.

A piora na estimativa para este ano veio na esteira de uma queda nas receitas líquidas projetadas a R$ 1,379 trilhão (R$ 1,383 trilhão antes), enquanto a conta de despesas ficou praticamente inalterada em R$ 1,469 trilhão.

Para 2021, a expectativa, segundo o relatório Prisma, passou a ser de déficit primário de R$ 45,744 bilhões, melhor que o patamar de R$ 47,151 bilhões no levantamento do mês passado. A meta indicada para o próximo ano é de um déficit de R$ 68,5 bilhões.

Apesar da melhoria apontada nas estimativas, o País fechará 2020 no vermelho pelo sétimo ano consecutivo, sem conseguir economizar para pagar os juros da dívida pública.

Ainda assim, os economistas consultados pelo Prisma veem a dívida em patamar bem mais baixo: 76,20% e 76,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020 e 2021, respectivamente, ante 78% e 78,07% no relatório do mês passado.

No fim de janeiro, o Banco Central divulgou que a dívida bruta caiu a 75,8% do PIB em 2019 sobre 76,5% em 2018, primeiro recuo em seis anos, na esteira da venda de reservas pelo Banco Central e da antecipação de pagamentos pelo BNDES ao Tesouro. (Reuters)