Nanopartículas retira petróleo do mar
Crédito: Felipe Brasil/Instituto do Meio Ambiente de Alagoas / Divulgação

Setembro de 2019: um derramamento de petróleo no litoral nordestino é identificado. Em pouco tempo, as manchas se espalham por 2 mil quilômetros e atingem 138 praias, de 62 cidades, em nove estados. O evento foi considerado o maior desastre ambiental da história no litoral brasileiro em termos de extensão, segundo o Ibama.

A substância, posteriormente identificada como petróleo extrapesado (óleo bruto altamente prejudicial ao meio ambiente), causou diversos transtornos: além de poluir as águas e atingir animais marinhos, também afetou o turismo na região. Atentas a demandas sociais de grande impacto como essa, as estudantes do Cefet-MG em Timóteo Ana Carolina Nasaro e Júnia Ciríaco desenvolveram uma pesquisa que utiliza nanopartículas magnéticas para a retirada de petróleo derramado. O projeto foi orientado pela pesquisadora Sayonara Santos e pela professora Rosana Ferreira.

A pesquisa consiste, basicamente, na utilização de uma técnica atual em favor da preservação dos ecossistemas. “A nanotecnologia foi empregada como a base para a solução de problemas relativos a derramamentos de óleo, alcançando o maior deles, os vazamentos de petróleo em alto mar, tema da nossa pesquisa. Assim sendo, associamos as nanopartículas magnéticas ao petróleo, de modo a tornar o composto magnetizável e permitindo, posteriormente, a sua remoção”, destacam as jovens cientistas.

Elas contam que o projeto inicial surgiu em 2018, durante o trabalho multidisciplinar “Energia e Meio Ambiente”, voltado para os estudos de fontes energéticas. Inicialmente, os professores Romerito Valeriano e Aurélio Kubo foram os orientadores. Pelo potencial e relevância da pesquisa, as estudantes levaram a ideia adiante e, desde então, têm conquistado destaques em importantes eventos científicos.

Em agosto de 2019, as pesquisadoras apresentaram o trabalho na Feira Mineira de Iniciação Científica (Femic), ficando com o 2º lugar na categoria Engenharia e um credenciamento para a Exposición Científica Y Tecnologica, que acontece no Paraguai em 2020. Em setembro de 2019, participaram também da Mostra Específica de Trabalhos e Aplicações (Meta) do Cefet-MG; em outubro, da 7ª Feira Brasileira de Colégios de Aplicação e Escolas Técnicas (Febrat), na UFMG; e do Encontro Nacional do Cientista Beta, onde foram credenciadas para participar da Feira de Tecnologias, Engenharias e Ciências de Mato Grosso do Sul, que acontece em setembro de 2020. O grupo também foi selecionado para participar, em março, da 18ª Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), na USP, um dos maiores eventos de estímulo ao jovem cientista do País.

Para as estudantes, os destaques e os prêmios são frutos de um trabalho que visa conscientizar a população sobre um tema que, até a tragédia ambiental de 2019, era pouco explorado. “Pesquisas deste cunho têm a capacidade de promover a restauração e a preservação da fauna e da flora (sobretudo aquática), além de gerir a questão socioeconômica dos pescadores de subsistências, comerciantes locais e da própria questão cultural e turística do(s) país(es) afetado(s)”, completam.

A pesquisa, financiada com bolsas de iniciação científica do CNPq, atualmente busca concluir os custos de aplicação em pequena escala para que, mais tarde, seja industrializada. “Espera-se, primordialmente, que essa técnica se apresente mais prática, financeiramente acessível e sustentável, sendo assim viável e melhor que as já utilizadas”, projetam as cientistas Ana Carolina Nasaro e Júnia Ciríaco.

Nanopartículas – As nanopartículas, resultado da miniaturização extrema em escalas moleculares e atômicas, foram descritas na década de 1950 pelo físico ganhador do prêmio Nobel Richard P. Feynman, mais tarde utilizadas em sistemas inovadores de tecnologia. As nanopartículas magnéticas, atualmente, são aplicadas em áreas como biotecnologia e ciências biomédicas, por exemplo. (Da Redação)