Crédito: REUTERS/Sergio Moraes

Rio – A Petrobras reduzirá o preço do óleo diesel nas refinarias em 6,5% e o da gasolina em 9,5%, a partir desta sexta-feira, em movimento que vem após uma derrocada das cotações do petróleo no mercado internacional nesta semana, informou a petroleira estatal ontem.

Com os novos reajustes, a queda acumulada do diesel da Petrobras no ano somará 23,4%; a redução da gasolina acumulará 20,6%, de acordo com informações da Petrobras e cálculos da Reuters.

Os cortes nos valores a partir de hoje são os primeiros depois do início de uma guerra de preços entre Rússia e Arábia Saudita, duas das maiores produtoras de petróleo, o que derrubou valores internacionais de petróleo e derivados na última semana.

O desentendimento entre os dois países veio ainda em meio a um cenário de crise com a expansão do novo coronavírus pelo mundo, que trouxe temores sobre uma desaceleração da economia global e uma consequente redução da demanda pelos produtos fósseis.

“A queda do mercado internacional foi muito forte, foi muito brusca, então ela (a Petrobras) tinha mesmo um deságio para colocar nos preços”, afirmou o chefe da área de óleo e gás da consultoria INTL FCStone, Thadeu Silva.

“Ainda é maior o que ela pode reduzir… se olhar os preços agora, mas acho que ela está tentando suavizar o movimento de queda… ela está esperando para ver se consolida esse patamar ou se tem uma retomada.”

Mais cedo, agentes do mercado afirmaram à Reuters sobre a redução dos preços da Petrobras, movimento que foi confirmado em seguida pela empresa.

Política – Os cortes de preços da petroleira estatal refletem a política que segue o princípio da paridade de importação, que leva em conta preços no mercado internacional mais os custos de importadores, como transporte e taxas portuárias, com impacto também do câmbio.

No ano, o dólar acumula alta de cerca de 20%, após superar R$ 5 pela primeira vez ontem. Já o preço do petróleo Brent recuou cerca de 50% em 2020, com a queda sendo acentuada nesta semana.

O repasse de ajustes dos combustíveis nas refinarias para o consumidor final nos postos não é imediato e depende de diversos fatores, como consumo de estoques, impostos, margens de distribuição e revenda e mistura de biocombustíveis. (Reuters)