Pesquisa Focus, do Banco Central, mostra que o mercado agora estima a inflação deste ano em 3,56% - Crédito: Ueslei Marcelino/Reuters

São Paulo – O mercado voltou a reduzir a expectativa para a inflação este ano, ao mesmo tempo em que ajustou para cima as contas para o crescimento da economia, de acordo com a pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central (BC) ontem.

O levantamento semanal mostrou que a expectativa para a alta do IPCA em 2020 caiu pela terceira semana seguida, em 0,02 ponto percentual, a 3,56%. Para 2021, permaneceu em um avanço de 3,75%.

O centro da meta oficial de 2020 é de 4% e, de 2021, de 3,75%, ambos com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

A revisão ocorre na esteira de uma perspectiva mais fraca para a alta dos preços administrados este ano. Os economistas consultados passaram a ver inflação dos administrados de 3,77%, frente 3,81% antes.

Para o Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa de crescimento este ano foi elevada a 2,31%, de 2,30% na semana anterior, enquanto que, para 2021, continuou em 2,5%.

Contribuiu para esse aumento a melhora do cenário para a produção industrial, que deve crescer 2,19% em 2020, contra 2,10% previstos anteriormente. Entretanto, para 2021, a perspectiva de expansão caiu em 0,05 ponto, a 2,45%.

Selic – A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou ainda que a taxa básica de juros terminará este ano a 4,5% e o próximo a 6,25%, sem alterações.

A Selic fechou 2019 a 4,5%, nova mínima histórica, após novo corte de 0,5 ponto percentual em dezembro, quando o BC indicou cautela em relação aos juros daqui para frente em meio a uma retomada econômica com mais ímpeto.

O Top-5, grupo dos que mais acertam as previsões, continua vendo a Selic a 4,25% em 2020 e a 6,25% em 2021. (Reuters)

Juros baixos e dólar mais elevado são “novo normal”

Brasília – O ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a avaliar que juros baixos e dólar mais alto são um novo normal na economia, em meio ao compromisso do governo com o controle de gastos públicos, conforme entrevista ao site Poder 360 em parceria com o SBT.

“É um novo normal. Não quer dizer que o câmbio vai ficar a R$ 4. A nossa ida lá para fora é para dizer para o mundo: olha, ano passado, saímos do abismo fiscal, este ano vamos aprofundar as reformas”, afirmou ele na entrevista, que foi feita na última terça-feira (14), mas publicada pelo site ontem.

“O Brasil vai acelerar o crescimento, aumentar o ritmo de criação de empregos, investimentos, e, naturalmente, os recursos virão de fora. Pode até ser que o dólar desça um pouco novamente”, ponderou Guedes.

O ministro avaliou que os últimos 30 anos foram de descontrole de gastos no País, com o Banco Central (BC) agindo sozinho no aperto monetário para controle da inflação.

“O Brasil, durante 10, 20 ou 30 anos, teve juros muito altos e câmbio muito baixo. Isso desindustrializou o Brasil, trouxe excesso de importações, prejudicou as exportações e atravancou os investimentos. Essa combinação maldita de juros altos e câmbio baixo foi revertida”, avaliou ele.

“O Brasil, em vez de ser um País que tem fiscal frouxo e apertado só no freio monetário, agora controla os gastos do governo, porque gasta muito e gasta mal. Nós queremos que o dinheiro fique no bolso do povo”, acrescentou.

No fim de novembro, o ministro já havia dito que, diante da redução da taxa básica de juros no País e de um fiscal mais forte, o câmbio de equilíbrio “tende a ir para um lugar mais alto”.

Hoje, a Selic está em 4,5% ao ano, sua mínima histórica, e há expectativas de que caia ainda mais, para 4,25%, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, em fevereiro. (Reuters)