Projeto de autonomia tem apoio da FPA, que apela por spread menor
Banco Central defende que autonomia amplia em 50% chances de inflação baixa em um país - Crédito: Beto Nociti

Brasília – A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) apoia o projeto de autonomia formal do Banco Central (BC), mas não fechou questão sobre o voto favorável à iniciativa, afirmou ontem o vice-presidente na Câmara dos Deputados da frente, Sérgio Souza (MDB-PR).

A FPA conta com 247 deputados e 40 senadores, sendo considerada uma bancada de peso nas duas Casas do Congresso.

Souza falou a jornalistas após almoço realizado na sede da frente com o presidente do BC, Roberto Campos Neto. O deputado avaliou que a autonomia conferirá maior estabilidade aos preços e negócios futuros, o que é importante para o setor agropecuário.

Ele também afirmou que o prazo para apreciação do projeto de autonomia que está na Câmara – texto que conta com o apoio do Executivo – ainda será definido pelo presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), mas que a expectativa é de que seja votado após o Carnaval.

Segundo Souza, os parlamentares também apresentaram suas demandas ao presidente do BC, incluindo o apelo por um spread mais baixo e por juros subsidiados também menores, em um contexto de Selic em sua mínima histórica.

“Nós estamos com juro médio de 8% a 9% para o agronegócio, enquanto a Selic está em 4,25%. Isso não cabe mais dentro do bolso do produtor”, disse. “Vamos levar uma proposta de juro bem menor para o nosso agronegócio”, acrescentou ele, sem detalhar percentuais.

Mais tarde, o relator do projeto de autonomia na Câmara, deputado Celso Maldaner (MDB-SC), disse que o fechamento formal de questão será debatido na primeira reunião da FPA após o Carnaval.

Depois de o Senado aprovar na CAE outro projeto de autonomia do BC, Maldaner disse que a Câmara é que será protagonista no tema.

Inflação – Em apresentação a parlamentares ontem, Campos Neto voltou a defender a autonomia, citando dado que aponta que a autonomia de bancos centrais aumenta em 50% as chances de um País ter inflação baixa, sem prejuízo à atividade econômica.

Segundo Campos Neto, há consenso entre pesquisadores sobre o tema. A apresentação foi divulgada pela assessoria da autarquia.

Crédito cooperativo – No encontro, Campos Neto também falou sobre a reforma da lei complementar 130, para fomento ao crédito cooperativo por meio do chamado empréstimo sindicalizado, além de aprimoramento da organização sistêmica e aumento da eficiência do segmento e melhoria de gestão e governança.

Segundo apresentação do presidente do BC, a meta para 2022 é que as cooperativas respondam por 20% do crédito, ante percentual de 9% em outubro de 2019.

No documento, Campos Neto expôs que, enquanto bancos tradicionais sofreram com a crise financeira de 2008 e com a recessão no País em 2015 e 2016, com o BC tendo que reestruturar 20% das instituições financeiras, as intervenções no cooperativismo representaram menos de 0,5% do segmento.

Na avaliação do BC, as cooperativas apresentaram crescimento expressivo e sustentável e, olhando adiante, contam com “grande potencial de crescimento na própria base”. (Reuters)

Fintechs e cooperativas ganham espaço no interior

São Paulo – Indústrias de pequeno porte em São Paulo estão tomando mais empréstimos com cooperativas e fintechs no interior do estado do que na capital, indica uma pesquisa feita pelo Datafolha a pedido do Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo (Simpi).

De acordo com o levantamento, 14% dos empresários do segmento já fizeram empréstimos em cooperativas de crédito com taxas de juros mais baixas do que em bancos tradicionais, enquanto 6% tomaram crédito com fintechs.

Os empréstimos em cooperativas e fintechs são mais comuns no interior do que na região metropolitana da capital. Enquanto 2% a 4% dos entrevistados na capital afirmaram terem tomado crédito com fintechs ou cooperativas, o número subiu para a faixa de 8% a 9% no interior, de acordo com o estudo feito a partir de 305 entrevistas junto a empresas com até 50 funcionários.

Mercado em expansão – O levantamento vem no momento em que um crescente número de participantes do mercado financeiro estão ampliando a oferta de crédito a pequenos empreendedores, após terem percebido que muitos deles pedem empréstimos na pessoa física, mas para usar como capital de giro em seus negócios.

Além de bancos digitais, como Banco Original e Nubank, que, no ano passado, passaram a oferecer contas e outros serviços para pequenas e médias empresas, outras instituições que nasceram com foco no varejo também estão gradualmente ofertando empréstimos para este público.

É o caso das fintechs Creditas, de crédito com garantia, e o Mercado Pago, braço financeiro do portal de comércio eletrônico Mercado Livre. Empresas de pagamentos como Cielo e Stone também estão ampliando a oferta de empréstimos para pequenos empreendedores. (Reuters)