Reforma administrativa está “madura”, afirma o presidente Bolsonaro
Crédito: Antonio Cruz / Agência Brasil

Brasília – Após uma série de adiamentos do envio da reforma administrativa ao Congresso, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou ontem que o texto está maduro.

“A questão da reforma administrativa está madura agora. Não podemos apresentar uma reforma e depois nós mesmos buscarmos deputados e senadores para que ela venha a ser corrigida”, disse durante cerimônia para lançamento de crédito imobiliário no Palácio do Planalto.

O texto que vai alterar as regras para novos servidores federais está em gestação desde o ano passado no governo. Bolsonaro chegou a afirmar que ele seria entregue ao Legislativo ainda em 2019, mas a falta de consenso levou a uma série de adiamentos.

Outra promessa foi feita de que a proposta chegaria às mãos dos parlamentares nas primeiras semanas de atividade legislativa desse ano, mas agora deve ficar apenas para março.

Com divergências entre a equipe política e econômica, o texto está em fase final de elaboração e aos cuidados do próprio Bolsonaro, que passou os últimos dias debatendo o tema com sua equipe.

No mesmo evento, Guedes também defendeu os “palpites” de Bolsonaro.

“O presidente tem 60 milhões de votos e não vai dar palpite na reforma? Tem que dar!”, disse, em referência aos quase 58 milhões de votos que Bolsonaro obteve em 2018.

“A [reforma] administrativa, o presidente está dando uma olhada, fazendo algumas mexidas que são corretas. A turma técnica sonhando com um futuro de administração pública completamente despolitizada e desaparelhada. Então, a técnica vai lá na reforma administrativa e coloca: ‘olha, o funcionário público não pode ter filiação partidária’. Aí o presidente fala: ‘espera aí, o exercício da política é o direito da liberdade, o sujeito que é funcionário público pode escolher o partido dele’”, afirmou.

Ele justificou a demora do envio do texto pelos ajustes necessários.

Correios – Os Correios caminham para a privatização, disse ontem o presidente Jair Bolsonaro. “Algumas instituições não serão privatizadas enquanto eu for presidente, mas os Correios caminham para a privatização. Até porque, foram foco no passado de grandes escândalos e também é um monopólio que não pode ter prejuízo”, disse Bolsonaro em discurso durante evento no Palácio do Planalto.

O presidente também aproveitou a oportunidade para fazer elogios ao ministro da Economia, Paulo Guedes. O ministro tem pressionado pelo envio da reforma administrativa ao Legislativo, por considerá-la essencial para a recuperação da economia, mas uma fonte com conhecimento do assunto disse à Reuters que o encaminhamento da proposta, previsto para esta semana, foi adiado.

“Vamos mudando, fazendo o possível, com muita humildade, conversando com todos antes de decisões. Como, Paulo Guedes, a questão da reforma administrativa. Está madura agora. Não podemos apresentar uma reforma e depois nós mesmos buscar deputados e senadores para que ela venha a ser corrigida”, afirmou o presidente.

Bolsonaro fez, então, um afago ao ministro ao fazer uma referência ao episódio em que ele foi criticado por afirmar que o dólar mais baixo permitia que empregadas domésticas viajassem à Disney.

“Já que o Paulo Guedes falou de pessoas humildes. Obviamente, Paulo, só é criticado quem tem virtudes. Ninguém critica o perna-de-pau que está acostumado a perder gols, critica o craque que perde o pênalti. Ou até mesmo quando ele faz o gol e não é muito bem batido”, afirmou. (Folhapress/Reuters)