Santander reformula linha de home equity
Crédito: REUTERS/Pilar Olivares.

São Paulo – O Santander vai reformular o crédito pessoal com garantia de imóvel (home equity), em linha com a meta do Banco Central (BC) de expandir a concessão de empréstimos neste segmento, que permite cobrança de taxas de juros mais baixas.

A linha, agora chamada de Usecasa, terá juros reduzidos de 0,99% ao mês para 0,94% ao mês (de 12,6% ao ano para 11,9% ao ano) e prazo de até 20 anos. O custo efetivo total, porém, é maior, porque há a cobrança de IOF, seguro e a taxa para a avaliação do imóvel.

Segundo o banco, os juros passarão a ser os menores dentre as linhas de crédito pessoal – batendo inclusive as taxas de juros do crédito consignado do banco, que custam a partir de 1,50% ao mês.

O home equity é uma das apostas do Banco Central para ampliar e baratear o mercado de crédito no Brasil, apesar de ainda ser pouco conhecido e mais oferecido por fintechs. A média desse tipo de empréstimo é que o prazo seja de 15 anos, com taxas de 12% a 13% ao ano ou de 0,99% ao mês.

Caso as parcelas não sejam honradas, o banco toma o imóvel como garantia e pode vendê-lo como forma de quitar a dívida. “O brasileiro ainda tem receio de alienar sua casa por prezar pela estabilidade do lar, da família, e prefere o crédito imobiliário porque o vê como uma aquisição de um bem. No entanto, se o home equity é feito de maneira planejada, ele é mais saudável do que tomar juros de 3% a 4% ao mês”, diz Paulo Duailibi, superintendente de negócios imobiliários do Santander.

Segundo a Agenda BC#, que reúne as prioridades da instituição, em um cenário conservador, cerca de R$ 500 bilhões em home equity podem ser injetados no mercado de crédito, quase dobrando a atual carteira de crédito imobiliário.

De janeiro a setembro de 2019, a modalidade cresceu 55% e alcançou mais de R$ 300 milhões, segundo dados do BC.

Com a lenta recuperação econômica e a baixa demanda do consumidor frente ao alto comprometimento da renda familiar, bancos têm mais interesse em emprestar nas linhas em que têm maior garantia.

Endividamento – Dados do Banco Central apontam que o endividamento e o comprometimento da renda das famílias (descontados os financiamentos imobiliários) atingiram 26,2% e 18,4% em outubro. Eram de 23,9% e 17,3%, respectivamente, no mesmo mês de 2018.

Ainda segundo o BC, os juros cobrados nas linhas de consignado e financiamentos imobiliários e de veículos são os únicos que conseguem estar abaixo da taxa de juros média (considerando recursos livres e direcionados) cobrada no mercado – que ficou em 23,9% em novembro.

O valor mínimo do Usecasa é R$ 30 mil e pode ir até 60% do valor do imóvel, cujo valor mínimo para ser utilizado como garantia é R$ 70 mil. O custo da avaliação do imóvel é de R$ 2.150,00.

A concessão pode comprometer de 30% a 35% da renda, que, por sua vez, pode ser composta por mais de uma pessoa, sem necessidade de vínculo familiar.

Como o home equity tem prazos maiores, a soma da idade do tomador de crédito e do prazo do empréstimo não pode ultrapassar 80 anos no Usecasa. Ou seja, uma pessoa de 61 anos não pode fazer um financiamento de 20 anos, mas pode fazer de 15, por exemplo.

Para quem já tem um contrato de home equity no banco, a taxa, de 0,99% ao mês, não muda. “Não é uma discrepância tão grande”, diz Duailibi.

A linha reformulada do Santander também pode ser contratada pelo site do banco e o cliente também tem a opção pula parcela, onde opta por um mês no ano para não pagar a parcela e o valor é incorporado ao saldo devedor. (Folhapress)