Crédito: REUTERS/Amanda Perobelli

Brasília – O Brasil teve superávit comercial de US$ 3,096 bilhões em fevereiro, acima do esperado, com a venda de óleos brutos de petróleo, combustíveis de petróleo e minérios de cobre impulsionando as exportações no período.

O dado, divulgado nessa segunda-feira (3) pelo Ministério da Economia, ficou próximo do saldo positivo de US$ 3,116 bilhões registrado no mesmo mês do ano passado e compensou parcialmente o fraco desempenho de janeiro, quando o País teve o primeiro déficit comercial para o mês em cinco anos.

O superávit da balança comercial também veio melhor que projeção de US$ 1,5 bilhão feita por economistas, segundo pesquisa Reuters com analistas.

Em fevereiro, as exportações subiram 15,5% na comparação com igual período do ano passado, pela média diária, a US$ 16,355 bilhões. Já as importações gerais tiveram um aumento de 16,7% na mesma base de comparação, a US$ 13,259 bilhões.

Os dados da balança comercial vieram positivos em fevereiro apesar dos temores de desaceleração do crescimento global por conta da disseminação do coronavírus, com efeitos marcantes sobre a China, que é a maior parceira comercial brasileira.

Em fevereiro, contudo, as exportações brasileiras para a China, Hong Kong e Macau saltaram 20,9% e, no bimestre, 5,5%.

De acordo com o subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior, Herlon Brandão, o aumento das vendas em fevereiro para a China reflete normalização de represamento ocorrido em janeiro, devido ao feriado do ano novo chinês.

Em coletiva de imprensa, Brandão afirmou que exportadores de carne relataram que tiveram um baixo movimento no começo do mês por não conseguirem desembarcar suas mercadorias por falta de contêiner e mão de obra nos portos da China, mas que isso teria sido algo pontual.

Em contrapartida, exportadores de soja, por exemplo, não reportaram nenhuma mudança ao ministério até agora.

“O efeito (do coronavírus) provavelmente é gradual e é heterogêneo entre os setores, então se dá em maior ou menor grau”, disse Brandão.

“Pode ser que tenha algum efeito em março ainda, mas não foi perceptível nos agregados da balança de fevereiro. Pelo contrário. A gente vê um crescimento das exportações, um crescimento do comércio”, completou ele.

Brandão reconheceu que, como os contratos do comércio exterior são usualmente firmados com antecedência, o impacto do coronavírus nos negócios ainda poderá sensibilizar a balança à frente. Os contratos de minério de ferro, por exemplo, são geralmente de três meses. Em relação à soja, mais de metade da safra brasileira já está vendida.

Petróleo – De acordo com o Ministério da Economia, o destaque na ponta das exportações em fevereiro coube às vendas totais de óleos brutos de petróleo, que ficaram US$ 703 milhões maiores que no mesmo mês de 2019, enquanto para óleos combustíveis de petróleo o acréscimo foi de US$ 299 milhões.

Refletindo o ambiente de cautela global, os preços do petróleo caíram 7,3% sobre fevereiro do ano anterior. O aumento nas vendas, portanto, foi assentado exclusivamente sobre a elevação do volume transacionado, o que de acordo com Brandão deriva do crescimento da produção brasileira, com o excedente sendo direcionado ao mercado externo.

As exportações de minérios de cobre, por sua vez, tiveram um incremento de US$ 626 milhões, ante fevereiro do ano passado.

No caso das importações, houve aumento em todas as categorias, com destaque para bens de capital, que cresceram 102,2% sobre um ano antes. As compras de combustíveis e lubrificantes aumentaram 32,2%, as de bens intermediários, 3,2%, e de bens de consumo, 2,2%.

No primeiro bimestre, o superávit da balança comercial foi de US$ 1,361 bilhão, queda de 69,8% sobre igual etapa do ano passado, com retração de 4,2% na ponta das exportações, pela média diária, enquanto as importações subiram 6,5%.

O Ministério da Economia ainda não divulgou suas projeções para 2020, mas já indicou que a perspectiva para o saldo das trocas comerciais é de piora em relação ao superávit de US$ 48,036 bilhões de 2019.

O Banco Central prevê um superávit de US$ 32 bilhões em 2020, estimativa que foi feita em dezembro e que ainda não considera fatores que podem afetar negativamente as exportações brasileiras, pressionando ainda mais o resultado da balança comercial.
Economistas esperam um superávit de US$ 36,70 bilhões para o ano, segundo a última pesquisa Focus. (Reuters)

Exportação de minério recua 23,6%

São Paulo – A exportação de minério de ferro do Brasil em fevereiro somou 22,1 milhões de toneladas, queda de 23,6% na comparação anual, o que levou os volumes embarcados aos menores níveis desde abril de 2019 (18,7 milhões de toneladas), de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), divulgados ontem.

Em relação a janeiro, a queda na exportação foi de 17,5%, após a gigante Vale ter anunciado no mês passado que sua produção no primeiro trimestre ficará menor que o esperado, devido principalmente a questões operacionais na mina de Brucutu, sua maior operação de Minas Gerais.

A exportação brasileira sofre, na comparação anual, com as restrições decorrentes do desastre com a barragem de Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em janeiro de 2019. Em fevereiro do ano passado, os embarques da Vale ainda estavam fortes, não refletindo a redução na produção.

Também pressionou a exportação mensal o menor número de dias úteis, de acordo com os dados da Secex. Fevereiro de 2020 teve 18 dias úteis, enquanto no ano passado foram 20, e em janeiro, 22.

Pela média diária, entretanto, as exportações em fevereiro ficaram 15% abaixo do mesmo período do ano passado, ainda que tenham ficado cerca de 10 mil toneladas acima de janeiro.

O preço médio do minério vendido pelo País em fevereiro somou US$ 68,50 por tonelada (base FOB) – o que resultou em exportações avaliadas em US$ 1,5 bilhão. A cotação média supera os US$ 53,2 por tonelada no mesmo mês de 2019 e os US$ 65 por tonelada em janeiro, apontou ainda a Secex.

Os futuros do minério de ferro na China atingiram o limite diário de alta ontem, à medida que estoques em queda nos portos indicaram que as usinas siderúrgicas têm aumentado o apetite pelo material e com o crescimento de expectativas de que a China divulgue novas medidas de estímulo à sua paralisada economia.

O minério de ferro negociado na bolsa de commodities de Dalian fechou com ganhos de 5,8%, a 653 iuanes (US$ 93,70), após ter tocado o limite diário de alta de 6% pouco antes do fechamento. Já o preço do minério no mercado spot, posto na China, fechou US$ 88 /tonelada ontem. (Reuters)

Embarques do País caíram 4,2% no bimestre

No acumulado de 2020, as exportações chegam a US$ 30,795 bilhões, uma redução de 4,2% sobre o mesmo período de 2019, quando totalizaram US$ 33,739. Já as importações somaram US$ 29,434 bilhões, aumento de 6,5% sobre os dois primeiros meses do ano anterior, quando ficaram em US$ 29,010 bilhões.

O subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior, Herlon Brandão, lembra que os resultados de janeiro e fevereiro têm de ser analisados em conjunto, pois em janeiro as exportações foram atipicamente baixas e em fevereiro houve um crescimento significativo. “Um embarque que não aconteceu em janeiro pode ter ficado para fevereiro, então isso é parte de um conjunto e segue a sazonalidade”, observou.

Nas importações, houve a compra de plataformas de petróleo tanto em janeiro quanto em fevereiro, o que elevou os valores. Em fevereiro, uma plataforma de petróleo fabricada nos Estados Unidos, no valor de US$ 1,2 bilhão, acabou puxando os números para cima. (Da Redação)

Vendas externas de soja somam 5,1 mi de toneladas

São Paulo – A exportação de soja do Brasil em fevereiro somou 5,12 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo da registrada no mesmo mês do ano passado (5,27 milhões), mas configurando o maior volume embarcado desde julho de 2019 (7,4 milhões), de acordo com dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério da Economia.

Os fortes embarques de fevereiro foram registrados em meio à colheita de uma safra brasileira estimada em um recorde de 123,25 milhões de toneladas e após exportações relativamente fracas em janeiro, de 1,5 milhão de toneladas, quando o volume colhido da nova temporada ainda era baixo.

O atraso na colheita da temporada atual, após um plantio mais tardio, acabou transferindo muitos embarques antes programados para janeiro, o que ajudou a impulsionar as exportações do mês passado, observou a analista Andrea Cordeiro.

“Muitas compras já estavam programadas para janeiro, mas com o atraso da safra foram empurradas para fevereiro… Mesmo com um ritmo inferior se comparado a fevereiro de 2019, os lineups mostraram aumento de navios ao largo”, disse Andrea.

Desde o início de fevereiro, a programação de navios nos portos apontava para uma intensa atividade. Chuvas, contudo, limitaram as movimentações.

“O fluxo de embarques só não foi maior pelo atraso (na safra) e não devido a cancelamentos de compras feitas, como se chegou a ventilar nos bastidores”, completou ela.

A analista ainda ressaltou que, se o mercado antecipava o cenário de desaceleração nos embarques de soja para a China baseado apenas na celebração do acordo comercial de Fase 1 entre chineses e norte-americanos, no começo do ano, isso não se confirmou na prática.

“Os negócios entre os países realmente deram uma estagnada e muito devido ao feriado lunar (na China) combinado com o quadro de coronavírus, mas essa foi uma tendência generalizada, e não apenas para o agro e com o Brasil”, explicou Andrea, ressaltando que os embarques de fevereiro são de negócios feitos anteriormente.

Ela antecipa que em março as exportações do Brasil deverão seguir firmes, enquanto o Brasil demonstra competitividade em meio a uma grande safra e um dólar forte.

“Vale a pena destacar que esse atraso também empurra uma parte dos compromissos previstos de fevereiro para o mês de março, e essa será a razão de vermos em março um crescimento maior nos lineup… e, se as condições climáticas permitirem, um fluxo intenso de embarques nos portos brasileiros.”

Os embarques do mês passado foram fortes apesar de fevereiro de 2020 ter tido 18 dias úteis, enquanto no ano passado foram 20, e em janeiro, 22 dias. (Reuters)