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600 mil trabalhadores deverão ser demitidos, se essa lei for aprovada no Brasil

Por Pedro Silvini
07/02/2026
Em Geral
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CLT

CLT (Reprodução/CUT)

Um estudo recente trouxe o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil e um sinal de alerta no mercado de trabalho. De acordo com uma nota técnica do Centro de Liderança Pública (CLP), a mudança pode resultar na eliminação de mais de 600 mil empregos formais, caso seja implementada sem redução proporcional dos salários.

A análise surge no momento em que o tema volta ao centro da agenda política, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) articulando, junto ao Congresso, o avanço da proposta que altera a jornada semanal de trabalho no país.

Segundo o CLP, o principal risco está no aumento do custo da hora trabalhada. Se a jornada semanal for reduzida mantendo-se o mesmo salário, o custo do trabalho para as empresas sobe automaticamente, pressionando margens, especialmente em setores mais intensivos em mão de obra.

O estudo aponta que comércio, agropecuária e construção civil seriam os mais afetados. No comércio, por exemplo, a projeção indica:

  • Queda de 1,3% na produtividade do trabalhador
  • Redução de 1,6% no emprego formal, o equivalente a cerca de 164 mil vagas a menos

Somados os impactos nos diversos setores da economia, a estimativa é de que mais de 600 mil postos de trabalho deixem de existir no médio prazo.

Governo quer mudar escala e reduzir jornada

Apesar das projeções negativas, o Palácio do Planalto articula o avanço da proposta. Lula combinou com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), uma reunião na próxima semana para discutir o tema. O encontro deve contar também com a presença das ministras Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral).

Durante as conversas, Lula deixou claro que considera ideal uma escala de 5×2, com dois dias de descanso semanal. O projeto original, no entanto, era ainda mais ambicioso e previa um regime de 4×3.

A proposta também envolve a redução da jornada semanal para 40 horas, com possibilidade de queda gradual para 36 horas, algo que encontra forte resistência do setor produtivo.

Clima político e próximos passos

Hugo Motta sinalizou ao presidente que há apoio político suficiente para que a proposta avance e seja votada ainda no primeiro semestre, antes do início mais intenso do calendário eleitoral. A ideia é iniciar a tramitação já na última semana deste mês.

Para tentar reduzir a resistência, especialmente entre parlamentares mais alinhados ao empresariado, a presidência da Câmara estuda indicar um relator de perfil centrista.

Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista em formação pela Universidade de Taubaté (UNITAU), colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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