Um estudo recente trouxe o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil e um sinal de alerta no mercado de trabalho. De acordo com uma nota técnica do Centro de Liderança Pública (CLP), a mudança pode resultar na eliminação de mais de 600 mil empregos formais, caso seja implementada sem redução proporcional dos salários.
A análise surge no momento em que o tema volta ao centro da agenda política, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) articulando, junto ao Congresso, o avanço da proposta que altera a jornada semanal de trabalho no país.
Segundo o CLP, o principal risco está no aumento do custo da hora trabalhada. Se a jornada semanal for reduzida mantendo-se o mesmo salário, o custo do trabalho para as empresas sobe automaticamente, pressionando margens, especialmente em setores mais intensivos em mão de obra.
O estudo aponta que comércio, agropecuária e construção civil seriam os mais afetados. No comércio, por exemplo, a projeção indica:
- Queda de 1,3% na produtividade do trabalhador
- Redução de 1,6% no emprego formal, o equivalente a cerca de 164 mil vagas a menos
Somados os impactos nos diversos setores da economia, a estimativa é de que mais de 600 mil postos de trabalho deixem de existir no médio prazo.
Governo quer mudar escala e reduzir jornada
Apesar das projeções negativas, o Palácio do Planalto articula o avanço da proposta. Lula combinou com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), uma reunião na próxima semana para discutir o tema. O encontro deve contar também com a presença das ministras Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral).
Durante as conversas, Lula deixou claro que considera ideal uma escala de 5×2, com dois dias de descanso semanal. O projeto original, no entanto, era ainda mais ambicioso e previa um regime de 4×3.
A proposta também envolve a redução da jornada semanal para 40 horas, com possibilidade de queda gradual para 36 horas, algo que encontra forte resistência do setor produtivo.
Clima político e próximos passos
Hugo Motta sinalizou ao presidente que há apoio político suficiente para que a proposta avance e seja votada ainda no primeiro semestre, antes do início mais intenso do calendário eleitoral. A ideia é iniciar a tramitação já na última semana deste mês.
Para tentar reduzir a resistência, especialmente entre parlamentares mais alinhados ao empresariado, a presidência da Câmara estuda indicar um relator de perfil centrista.




