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“Comer múmias” era recomendação médica na Europa

Por Carolina Carvalho
11/08/2025
Em Geral
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múmias

Imagem de freepik

Por mais bizarro que pareça, é isso mesmo que você leu. Na Europa, entre os séculos 16 e 19, comer múmias era um “remédio” bastante comum. Restos mortais egípcios eram vendidos em pó, que era recomendado por médicos da época como uma cura para dores de cabeça, estômago e coração. Como explica a Superinteressante, espalhou-se a ideia de que comer os restos mumificados era uma “cura para todos os males do corpo”.

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Ps: sim, isso é canibalismo.

E o mais interessante é a origem dessa crença: ela veio de uma tradução errada de antigos textos árabes para o latim.

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Como surgiu a crença de que “comer múmias” é bom para a saúde

De acordo com o historiador Karl Dannenfelt, na hora de traduzir textos árabes para o latim, tradutores europeus confundiram a palavra “múmia”. O correto era mumia, ou betume, uma substância negra e pegajosa usada na medicina islâmica. Além das duas palavras serem bem parecidas, algumas múmias eram embalsamadas com betume, o que consolidou de vez a confusão.

Marcus Harmes, professor na Universidade do Sul de Queensland, explicou ao site The Conversation que a ideia de comer múmias pareceu um remédio muito apropriado para a elite social e real da época. Os médicos afirmavam que as múmias que eles estavam consumindo eram de faraós, então era como se a realeza estivesse comendo a realeza.

Essa crença bizarra levou a uma febre de violação de túmulos egípcios e contrabando de múmias, chegando até mesmo ao ponto de serem vendidas “múmias falsas” de cadáveres frescos tratados com sal e drogas, secos e transformados em pó. E essa febre não foi uma coisa passageira, tendo durado até o final do século 19.

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Carolina Carvalho

Carolina Carvalho

Jornalista formada pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).

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