O dólar apresentou uma queda acentuada após o discurso de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, no simpósio de Jackson Hole, ocorrido nesta sexta-feira (22). A moeda norte-americana caiu 1,03% em relação ao real, fechando em R$ 5,42.
Powell indicou a possibilidade de uma redução nas taxas de juros, devido aos crescentes riscos no mercado de trabalho dos EUA, mesmo diante das preocupações com a inflação. Essa combinação de fatores gerou uma expectativa de corte de juros, que antes era considerada improvável, mas que após o discurso viu a probabilidade aumentar significativamente.
Repercussões nos mercados
O discurso de Powell impactou diversos ativos financeiros. Nos EUA, os índices de ações subiram, refletindo um otimismo renovado entre investidores que veem um potencial ambiente de juros mais baixos.
Os rendimentos dos títulos do Tesouro, sobretudo os de curto prazo, caíram, indicando uma expectativa de flexibilização na política monetária. No Brasil, a reação foi imediata no câmbio, com o dólar à vista atingindo R$ 5,41 durante o pregão, antes de fechar ligeiramente acima desse patamar.
O mercado futuro seguiu essa tendência, demonstrando um alinhamento com as expectativas globais.
Sinais econômicos contraditórios
A possível mudança na política do Fed se baseia em indicativos conflitantes da economia dos EUA. A inflação ainda preocupa, mas o mercado de trabalho mostra sinais de fragilidade.
Powell citou a desaceleração tanto na oferta quanto na demanda por trabalhadores, gerando receios sobre uma degradação no emprego. Este cenário desafiante justifica, na visão do Fed, ao menos uma análise de corte nos juros, considerando as pressões econômicas.
As tarifas comerciais impostas pela administração Trump adicionam outra camada de incerteza. As tarifas, anteriormente rigorosas, trouxeram preocupações sobre seus efeitos inflacionários, exacerbando a complexidade para as decisões políticas do banco central.




