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Vício no ChatGPT pode levar a grave transtorno mental

Por Pedro Silvini
25/08/2025
Em Geral
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Chat GPT

Chat GPT (Reprodução/Adobe Stock)

O que começou como relatos isolados em fóruns como Reddit e redes sociais agora desperta preocupação na comunidade clínica: o uso excessivo de chatbots como o ChatGPT pode desencadear uma condição não oficial, mas já batizada de “psicose induzida por IA”.

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Embora ainda não exista comprovação científica revisada por pares de que uma inteligência artificial possa causar psicoses por si só, psiquiatras afirmam que a tecnologia pode amplificar sintomas pré-existentes ou alimentar delírios em pessoas vulneráveis.

“Conversar com uma IA generativa é tão realista que se cria uma dissonância cognitiva: sabemos que não é humano, mas soa como se fosse. Isso pode alimentar quadros delirantes em indivíduos predispostos”, explicou o psiquiatra Søren Dinesen Østergaard, em artigo no Schizophrenia Bulletin.

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Delírios digitais

Casos documentados mostram que usuários passam a desenvolver crenças messiânicas, religiosas ou românticas em relação às IAs. Alguns acreditam que descobriram “a verdade universal” por meio do chatbot; outros veem a ferramenta como uma entidade divina ou até como um parceiro amoroso.

Um estudo em pré-impressão de julho de 2025 identificou mais de uma dúzia de usuários que apresentaram delírios cada vez mais elaborados após interações prolongadas com IAs. Entre os relatos, há o de um homem que acreditava que sua “companheira virtual” havia sido destruída pela empresa desenvolvedora e, em surto, morreu após confronto com a polícia.

As consequências, portanto, não se limitam ao psicológico: há riscos sociais e até físicos.

O efeito “eco delirante”

Parte do problema está no próprio design das ferramentas. Chatbots como o ChatGPT são programados para refletir o tom do usuário, manter a conversa fluida e gerar empatia digital. Esse comportamento, útil em contextos comuns, pode se tornar perigoso quando os interlocutores trazem pensamentos delirantes.

Diferente de um terapeuta humano, que maneja com cuidado crenças falsas, a IA pode reforçá-las sem perceber — um efeito conhecido como “lisonja algorítmica” ou AI sycophancy.

“As ferramentas soam convincentes, mas não são reais. Não sentem, não entendem, não amam. Só pessoas reais — família, amigos, profissionais de confiança — podem oferecer esse vínculo”, afirmou Andrew McStay, professor de tecnologia e sociedade da Universidade de Bangor.

Chamado por regulação

O chefe de IA da Microsoft, Mustafa Suleyman, afirmou estar “preocupado com o impacto social” de sistemas que dão a impressão de consciência. “Se as pessoas acreditam nisso, vão tratar como realidade”, alertou, pedindo regras mais rígidas para empresas de tecnologia.

Pesquisadores sugerem que, no futuro, médicos passem a perguntar sobre o uso de IA da mesma forma que hoje questionam pacientes sobre álcool ou tabagismo.

“Se os ultraprocessados alteraram nosso corpo, agora enfrentamos o risco das ‘mentes ultraprocessadas’”, disse a médica Susan Shelmerdine, do Great Ormond Street Hospital.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista com formação em Mídias Sociais Digitais, colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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