Na cidade de Alta Floresta, no Mato Grosso, foram registradas mais de 4,9 mil travessias de macacos através de pontes que cortam ruas e avenidas da cidade. Essas pontes é que ajudam os animais a atravessarem trechos de florestas cortados pela cidade sem correrem risco de atropelamento – uma causa muito comum de morte de animais silvestres no Brasil.
Questionada pela Folha de São Paulo, a bióloga Maelle Lima de Freitas contou que, até então, foram registradas 4.919 travessias, mas que o número pode até ser maior porque algumas delas não são registradas por câmeras, já que alguns macacos pregos viram as câmeras e até tiram suas pilhas.
De acordo com a bióloga, os animais conseguiram se adaptar rapidamente às pontes, que se tornaram rotina nos caminhos que eles atravessam enquanto percorrem a floresta. Maelle troca mensalmente o número de travessias em um outdoor que fica na frente na Praça das Capivaras, apelidado de “bichômetro”. Ela tem a tarefa de contabilizar e identificar as espécies registradas fazendo travessias.
Criadora das pontes venceu o “Oscar da conservação ambiental”
A bióloga trabalha para a pesquisadora e ecóloga Fernanda Abra. No ano passado, Abra foi premiada com o prêmio Whitley, o “Oscar da conservação ambiental”, por criar pontes na BR-174, rodovia federal que liga o Amazonas, Rondônia, Mato Grosso e Roraima à Venezuela, para proteger espécies da floresta amazônica.
“Quando eu fui em Alta Floresta pela primeira vez eu fiquei impressionada quando eu vi um macaco-aranha em uma avenida. Na mesma viagem, eu vi o zogue-zogue-alta-floresta, eu vi o mico-de-schneider”, contou Fernanda Abra à Folha. “Eu fiquei realmente motivada e falei: se eu ganhar o prêmio, vou aplicar aqui.”




