A decisão da Latam Airlines Brasil de restringir o uso do banheiro dianteiro em voos domésticos apenas aos passageiros dos chamados “assentos conforto” — localizados nas primeiras filas — desencadeou forte reação negativa entre viajantes frequentes e especialistas do setor aéreo.
O episódio ganhou repercussão após o executivo Carlos Eduardo Padula, cliente Black no programa de fidelidade da companhia, criticar a medida no LinkedIn. Ele classificou a regra como “o cúmulo da falta de bom senso” e um “desrespeito” aos passageiros, afirmando que a determinação obriga a maior parte dos viajantes a cruzar a cabine até os banheiros traseiros, gerando congestionamento, desconforto e até risco aumentado em turbulências.
Outros clientes compartilharam experiências semelhantes. No Reclame Aqui, um passageiro afirmou que a Latam está promovendo uma “segregação inadmissível”, especialmente porque até mesmo quem paga mais caro pela passagem ou detém categorias superiores de fidelidade pode ser impedido de usar o banheiro dianteiro caso esteja, por exemplo, na quarta fileira.
A mudança, implementada em novembro de 2025, vale para voos domésticos. Em rotas internacionais, apenas passageiros da cabine Premium têm acesso ao toalete frontal — enquanto a classe econômica deve utilizar exclusivamente os banheiros traseiros.
Latam despenca em ranking global de qualidade
A polêmica surge em um momento sensível para a companhia. No AirHelp Score 2025, ranking que avalia pontualidade, qualidade dos serviços e resolução de reclamações, a Latam caiu 45 posições: passou do 23º lugar em 2024 para o 68º neste ano.
Entre as companhias que operam no Brasil, todas tiveram desempenho fraco:
- Gol: 104º lugar
- Azul: 98º
- Latam: 68º
A Qatar Airways lidera o ranking.
O que diz a Latam
Em nota, a Latam afirmou que o procedimento segue a “prática mundial de uso de toaletes por cabine”, garantindo privacidade e alinhamento com o tipo de produto adquirido pelos passageiros. A empresa defende que a regra está em conformidade com a ANAC e a legislação brasileira.
A companhia ressalta ainda que há exceções, liberando o banheiro dianteiro em casos como:
- Passageiros com necessidades especiais
- Situações de emergência
- Necessidade de equilibrar o fluxo dentro da aeronave, a critério da tripulação




