O novo levantamento do IBGE, divulgado através da plataforma interativa Nomes do Brasil, revelou transformações profundas nos hábitos de nomeação dos brasileiros. O estudo analisou mais de 140 mil nomes registrados até 1º de agosto de 2022 e mostrou que, enquanto alguns ganharam força — como Gael, Ravi e Valentina — outros praticamente desapareceram das certidões de nascimento.
Entre os nomes em extinção, seis chamam atenção: Gertrudes, Odete, Ambrósio, Eulália, Juvenal e Iracema. Todos foram comuns em décadas passadas, especialmente entre 1930 e 1970, mas hoje são raríssimos. A seguir, veja o que cada um significa — um detalhe muitas vezes desconhecido até por quem os carrega.
1. Gertrudes — “Lança forte” ou “força na lança”
De origem germânica, já foi muito usado entre 1930 e 1960. Carrega simbolismo de coragem e proteção, mas praticamente desapareceu entre os novos registros.
2. Odete — “Rica” ou “cheia de bens espirituais”
Nome de raiz francesa e germânica que simboliza nobreza e prosperidade. Apesar de ter ressurgido discretamente por influência de novelas, segue raro em cartórios.
3. Ambrósio — “Imortal” ou “divino”
Com origem grega, já foi mais comum no interior do Brasil. Hoje figura entre os nomes masculinos com maior declínio no país.
4. Eulália — “A bem falada” ou “a que fala bem”
Um nome tradicional, associado à boa comunicação e clareza. Mesmo com significado positivo, praticamente sumiu das gerações mais jovens.
5. Juvenal — “Jovem” ou “cheio de vigor”
De origem latina, era comum sobretudo no Brasil rural. Caiu em desuso e quase não aparece em novas certidões de nascimento.
6. Iracema — “Lábios de mel”
De origem tupi e imortalizado pela literatura brasileira, já foi muito popular, mas perdeu destaque nas últimas décadas.
Por que esses nomes sumiram?
Segundo o IBGE, a mudança nos hábitos de nomeação acompanha tendências culturais, sociais e midiáticas. A ascensão de nomes como Gael, Helena e Ravi, que têm idades medianas muito baixas (1, 8 anos), evidencia a busca por nomes modernos e curtos. Já nomes como Osvaldo e Terezinha, que apresentam idade mediana acima de 60 anos, refletem esse envelhecimento e abandono ao longo das décadas.
A plataforma Nomes do Brasil permite consultar não só a incidência dos nomes, mas também períodos de auge, regiões onde são mais comuns e curiosidades da onomástica — o estudo dos nomes próprios.
Enquanto Marias e Josés seguem firmes (só “Maria” reúne 12,3 milhões de brasileiras), nomes como Gertrudes, Ambrósio e Iracema se tornaram, oficialmente, parte da história.




