Após os 65 anos, o organismo passa por mudanças biológicas que deixam as células nervosas mais frágeis — e um dos maiores vilões desse processo é o álcool. Segundo especialistas em neurologia e entidades internacionais de saúde, mesmo consumido em quantidades moderadas, o álcool torna-se mais arriscado para idosos, afetando funções cognitivas e ampliando o risco de diversas doenças.
Com o passar dos anos, o corpo perde eficiência na metabolização do álcool, o que faz com que a substância permaneça por mais tempo na corrente sanguínea e tenha efeitos mais intensos.
“As substâncias alcoólicas são neurotóxicas e aceleram a perda de funções cognitivas, como memória, atenção e raciocínio”, explica o Health Service Executive.
O serviço de saúde da Irlanda reforça que não existe nível totalmente seguro de consumo. Mesmo pequenas quantidades podem causar danos, e o risco aumenta com o tempo. Entre os problemas associados estão:
- Doenças cardíacas
- AVC
- Câncer
- Danos ao fígado
- Prejuízos cognitivos e demência
Condições pré-existentes — como diabetes, hipertensão e osteoporose — também podem ser agravadas pelo álcool.
Além disso, a tolerância ao álcool diminui após os 65. Em adultos mais velhos, a mesma quantidade ingerida por jovens gera concentrações maiores de álcool no sangue devido à redução da massa muscular e da água corporal.
Risco maior de quedas, acidentes e vulnerabilidade emocional
O uso de álcool também afeta de forma mais intensa a coordenação motora, o julgamento, a atenção e a memória, aumentando a probabilidade de quedas, acidentes de trânsito e falhas que podem comprometer a segurança doméstica — como esquecer eletrodomésticos ligados ou portas abertas.
Segundo o Instituto Americano de Alcoolismo e Abuso de Álcool, 50,9 milhões de pessoas com mais de 65 anos já consumiram álcool em algum momento da vida, e 34,4 milhões beberam no último ano. O órgão alerta ainda que o abuso de álcool cresce entre idosos, especialmente entre mulheres.
Fatores emocionais também têm peso. Muitos idosos recorrem à bebida para lidar com solidão, ansiedade, tristeza ou estresse, mas o efeito é temporário e piora o quadro.
“O alívio imediato se transforma em aumento da ansiedade e depressão, criando um ciclo difícil de romper”, destaca o instituto.
Especialistas recomendam seguir diretrizes de baixo risco, reduzir o consumo e buscar alternativas saudáveis para lidar com questões emocionais. Consultar um médico é fundamental quando o álcool passa a interferir no sono, no humor ou na rotina.




