Florianópolis entrou oficialmente no radar das grandes transformações urbanas globais. Uma equipe do Gehl Architects, escritório fundado pelo urbanista dinamarquês Jan Gehl — responsável por intervenções em cidades como Nova York, Copenhague e Lisboa — iniciou uma visita técnica que marca o primeiro passo do projeto Floripa para Todos, um estudo que vai redesenhar o futuro da capital catarinense pelos próximos 50 anos.
O plano, financiado pela Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) e pela Associação Empresarial de Florianópolis (Acif), será concluído em seis meses e resultará em um masterplan para a região central, da Passarela da Cidadania à Ponte Hercílio Luz. O objetivo é orientar intervenções focadas em mobilidade ativa, qualidade de vida, uso democrático dos espaços públicos, cultura e atividades ao ar livre.
Segundo as entidades financiadoras, o projeto busca tornar Florianópolis mais humana e conectada, alinhando a cidade aos modelos urbanos de referência mundial.
A movimentação já desperta atenção internacional. Um portal argentino especializado em turismo classificou Floripa como potencial “próxima Nova York”, destacando que a capital catarinense segue o mesmo caminho de destinos que passaram por grandes requalificações urbanas.

Inspiração europeia e liderança de Jan Gehl
A decisão de contratar o escritório de Gehl veio após uma missão internacional de lideranças políticas e empresariais à Europa, que visitou Copenhague, Londres, Coimbra e Lisboa em busca de soluções de mobilidade, retrofit e integração do transporte coletivo.
Jan Gehl, nascido em 1936 e considerado um dos urbanistas mais influentes do mundo, defende desde os anos 1970 um urbanismo centrado nas pessoas — conceito apresentado em Life Between Buildings. Sua abordagem privilegia caminhabilidade, convivência e espaços públicos de qualidade.

Mesmo aposentado da gestão da empresa, Gehl segue ativo como conselheiro e intelectual, e sua equipe aplicará em Florianópolis os mesmos princípios que transformaram capitais globais nos últimos 40 anos.
Disputa sobre preservação do patrimônio e reformas paralelas
Paralelamente ao estudo, Florianópolis vive debates sobre o futuro da antiga rodoviária. Um parecer do Setor de Patrimônio Histórico, Artístico e Natural (Sephan) contesta análises do Ministério Público de Santa Catarina e do IAB-SC que defendem a preservação do imóvel como patrimônio histórico.
O documento afirma que há “falta de suporte factual que justifique o valor afetivo e simbólico” da construção e sustenta que o edifício é “convencional, sem elementos modernistas”. A questão integra o processo judicial que discute a demolição do prédio.
Enquanto isso, a Câmara de Vereadores aprovou o programa Floripa em Dia, que oferece acordos especiais para negociação de dívidas com o município. A prefeitura estima recuperar R$ 36 milhões em três anos.




